16 maio 2008

Sinal dos tempos?

O catálogo de livros com obras de arquitetos brasileiros atuantes da CosacNaify vai aumentar. Até agora, o time é restrito: Paulo Mendes da Rocha, Joaquim Guedes, Marcos Acayaba, Brasil Arquitetura e o Coletivo. Adivinhem quem entrará no hall da fama? Sim, ele: nesta semana, Ruy Ohtake tinha reunião marcada com o pessoal da editora para discutir seu novo livro.

Eu só não entendi uma coisa, Cassiano: a nova publicação será o início de um possível resgate da obra de Ohtake ou o é fim do controle de qualidade da Cosac?

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14 janeiro 2008

Crítica da crítica

Por acaso - no intervalo entre uma caipirinha e outra - vocês leram a aU de janeiro (n°166, ainda não está na net)? A edição está razoável (FDE do Núcleo Arquitetura, casa de Carla Juaçaba, balanço da bienal, NYT de Piano etc). Mas o que me chamou a atenção foi a entrevista com o crítico espanhol Josep Maria Montaner.

Na entrevista - que tem como gancho o lançamento em português de Arquitetura e Crítica (GG) -, o homem que deu o Pritzker ao Paulinho responde por que não incluiu críticos brasileiros na edição (que são só citados). Curiosamente, comenta a falta de ambição dos críticos locais, todos seus amigos: "Comas, que é brasileiro e muito bom, só faz ensaios para revistas especializadas ou orienta teses; Ruth Verde Zein faz ensaios muito inteligentes, mas não se arrisca a fazer uma história mais universal. Hugo Segawa a faz e a faz bem descritiva, mas possivelmente não tem a força que deveria. Mahfuz é muito bom, mas é bom fazendo artigos, ensaios".

Mais adiante, conclui: "a relação que se estabelece com os artistas é muito emotiva, afetiva e pouco racional. Há uma certa dificuldade de analisá-los globalmente. Talvez porque os mesmos críticos sejam cautelosos e digam: não me atrevo a colocar ordem em algo tão complexo. Há algumas tentativas. Hugo Segawa tem uma história aceitável, mas que não chega a ambição que deveria ter. A única que existe é de Yves Bruand, um francês, ou seja, é feita fora. Por alguma razão idiossincrática, ou de cunho cultural, os que poderia fazê-la - porque Ruth Verde Zein, Mahfuz, Comas são de uma inteligência extrema - não a fazem"

Bingo.

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05 dezembro 2007

É pau...

E o novo livro do Acayaba? O que acharam? A publicação - que irá ser lançada hoje - ganhou destaque na Folha (com matéria de Mario Gioia - que vem se notabilizando com a cobertura de arquitetura).

Certamente, é uma produção que merece destaque. Mas - sem muitas novidades, pois a maior parte das obras são conhecidos -, o que mais gostei foram os textos dos projetos - escrito pelo próprio arquiteto, que (diferentemente de outros) não tem vergonha nem pudor de elencar suas influências.

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27 setembro 2007

Livros, livros...

Outro dia, em uma livraria carioca, me deparei com um volume novo e luxuoso, sobre a obra de Eduardo Ribeiro Rocha - ops, quero dizer Edo Rocha (não sei se alguém já viu em São Paulo). Ao que parece, será lançado oficialmente em novembro na Bienal. Grande formato, capa dura, edição caprichada, textos de apresentação de peso (Eduardo de Almeida e Pedro Paulo de Melo Saraiva), enfim, tudo de bom. Ou, quase tudo. O problema é o conteúdo: um belo portfólio!

Nada contra aquitetura corporativa, mas vale um livro tão bem-feito? Para quem interessa, é claro, além da enorme vaidade do autor? Dentro, poucas surpresas. Uma delas é a imagem da proposta para o esqueleto da Eletropaulo (parece que o Arquitectonica tomou conta de tudo e o projeto de Edo foi para a gaveta...). A outra surpresa? A casa do Wesley Duke Lee em Campos do Jordão: quem diria que era do Edo?

Mas o livro do Edo (editado pela Bei) é só o trampolim deste post: o foco é o mercado editorial em si. Depois do boom dos anos 90, quando quase todos os arquitetos históricos foram brindados (ou pagaram) com luxuosos volumes, ultimamente a coisa desandou: é cada livrinho sem importância que se faz por aqui! E olha que faltam ainda algumas lacunas a serem fechadas. Quem arrisca dizer qual é a maior? Chega de livros do Niemeyer! Editores: cadê o livro do Carlos Millan? E do Salvador Cândia? Ô Márcio: cadê o livro dos irmãos Roberto, heim? E tem mais: o Borsoi, o Luiz Amorim, o Croce Aflalo & Gasperini, o Pedro Paulo de Melo Saraiva, o Eduardo Longo... E o Sérgio Bernardes, heim Thiago? E o Heep, heim Marcelo?
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Acompanhando a inutilidade de algumas publicações recentes, em breve teremos um volume com os melhores posts do Alencastro!

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19 setembro 2007

Sem emoção

Daqui a pouco teremos uma palestra de Ricardo Legorreta na Faap, em São Paulo. Ontem ele esteve no Rio, lançando um livro na Bienal. Niemeyer, que também está ganhando um livro da mesma editora, não foi. Mandou uma carta, lida pelo neto Caique.

O livro não é usual: parece dois livros paralelos com uma sobrecapa que protege tudo. O texto, feito através de diversas entrevistas com o autor, é didático. Sua presença no Brasil despertou grande repercussão midiática, com direito, entre outras coisas, a quatro páginas na Veja (em matéria escrita por Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente do conselho editorial da Abril) e matéria no Jornal da Globo de ontem. Na Veja, ele disse: "Arquitetura sem emoção não é arquitetura".


Mas a verdade é que, depois de tantos anos e de Barragán, sua arquitetura - samba de uma nota só - não emociona mais. Principalmente, quando ganha escala. Nas casas, ainda funciona. Mas nas obras de porte, na busca por formas puras, mais parece um Pei de barro colorido...

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22 agosto 2007

Nós vamos invadir sua praia!

A coisa na PUC está agitada: segunda lançaram uma revista da escola de arquitetura chamada NOZ; hoje abre a exposição Coletivo no Solar Grandjean de Montigny, no Rio de Janeiro. Será que o charme da turma da General Jardim contaminará os cariocas?

A mostra fica em cartaz até 5 de outubro. O solar fica na rua Marquês de São Vicente, 225, na Gávea.

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17 agosto 2007

Folha (não) Explica


A Publifolha publicou mais um exemplar da coleção Folha Explica, que são volumes de pequenos formatos e poucas páginas que pretende dar ao leitor informações básicas sobre temas relevantes. E com preços baixos (R$ 17,90). Tipo a coleção Primeiro Passos da Brasiliense, lembram?

Desta vez, tal como já havia antecipado aqui no blog no início de fevereiro, o tema é... adivinhem? Oscar Niemeyer, claro. O autor do texto é Ricardo Ohtake, aquele, mais conhecido por ser irmão do Ruy e filho da Tomie. O texto é franco, o cara fica babando ovo o tempo todo, mas o feio são os inúmeros erros primários! Que vergonha!

Querem exemplos? Bem no início, na primeira página depois da introdução (p.12), falando de Pampulha, ele escreve: "criados às margens do lago, com edifícios erigidos em quatro pontos equidistantes...". Quem disse? Que absurdo! Na página seguinte (p.13), diz que o MEC é de "autoria de Le Corbusier"! Credo. Sobre o mesmo assunto, repete o erro (P.18) e comente outros: coloca Firmino Saldanha na equipe, esquece de Ernani Vasconcellos e escreve Affonso Reidy com um só F! Se fosse meu aluno, tomava pau!

Tentei seguir em frente. Páginas depois (p.20), o autor afirma: "Ele [Niemeyer] é, provavelmente, o arquiteto brasileiro que mais escreveu". Quem, além de Ricardo Ohtake, teria coragem de escrever esta besteira? E não pára por ai: mais três páginas (p. 23), erra a equipe da ONU! Bom, parei de ler: não vou perder meu tempo com isso, né?

Será que os outros volumes da coleção possuem esta qualidade?

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08 agosto 2007

3D

Olá, patuléia! Pensaram que eu tinha acabado, não? Nada como esfriar a cabeça nas férias... Por enquanto, estou esquentando os motores e lendo a pilha de jornais e revistas que estavam em baixo da minha porta - fiz questão de não ler nada na internet! E por aqui, quais as novidades?

Bom, mas voltando a vaca fria, vocês já viram os novos livros sobre o Paulo Mendes da Rocha da Cosac Naify? O grande é pequeno demais (além de não tem novidades e ser prá lá de oficial, né?) - e o pequeno até que é surpreendente. Trata-se da transcrição de uma palestra sobre maquetes que ele deu em Curitiba. E o texto está até legível - deve ter dado um trabalho de edição!

O lançamento é dia 14 de agosto, às 20h, na FAU velha (rua Maranhão, 88).

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15 maio 2007

Volume II

Está na boca do forno o volume II do livro Paulo Mendes da Rocha, da Cosac Naify, com obras recentes (na foto que ilustra o post - de Omar Freire - o arquiteto recebe, há um ano atrás, a Medalha da Inconfidência das mãos do futuro presidente, ops, quer dizer, de Aécio Neves...). Novidades do livro? As coisas de Recife, a obra de Santo André e tudo mais que já conhecemos...

Ah, já ia me esquecendo. Tenho uma sugestão para a editora: o nome do livro poderia ser Paulo Mendes da Rocha, por ele mesmo. O que acham?

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09 fevereiro 2007

Só não entende quem não quer...

A Publifolha, braço editorial do Grupo Folha, prepara um volume sobre arquitetura dentro da série Folha Explica, que são pequenos livros cuja característica é explicar temas variados.

Agora, o explicado será Niemeyer. E quem explica? Ricardo Ohtake.

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08 fevereiro 2007

Brazil for export

A CosacNaify vendeu para a Rizzoli os direitos de publicação do livro do Paulinho. Segundo o site da Amazon, a publicação está prevista para o fim do ano. Só uma coisa não entendi: é tão difícil fazer um livro novo ou é preguiça mesmo?

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23 janeiro 2007

Olá!

E aí, macacada? Tudo bem?

Bom, estou de volta... Achei que voltaria no início de janeiro, mas não deu. Tive um compromisso inadiável na capital do mundo e emendei mais duas semanas.

Bom, entre outras coisas, de lá eu trouxe a coleção da Domus feita pela Taschen. É imperdível ! (é melhor encomendar pela Amazon do que trazer no lombo, afinal, são quase 7 mil páginas!). Os livros vem em duas caixas e são muito pesados. O preço é salgado, 600 dólares, mas vale cada centavo.

A edição é feita com o melhor do que foi publicado, inclusive alguns anúncios. Várias capas também foram reproduzidas. Vi tudo em dois dias! Do Brasil? Pouca coisa. O mais notável, para variar, é Niemeyer, que ilustra uma das capas, com um projeto na Itália. E a Taschen parece que gostou do resultado: já estão anunciando que farão o mesmo com outras revistas. Qual é a próxima? Arts & Architecture.

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28 novembro 2006

Os brutos também amam


Está adiantada a negociação - entre uma famosa crítica local e um boa editora de livros de artes e afins - para a publicação do mestrado da jovem senhora, cuja tema são as casas do Paulinho.

Só resta combinar com o inimigo, avesso a revelar ao mundo o desenho de suas moradas burguesas...

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07 novembro 2006

Eu conheço esse cara!

Ontem mesmo elogiei o projeto gráfico do livro-catálogo do Coletivo. Li os textos (o melhor é da Ana Luíza Nobre, que também fez a melhor apresentação, mais realista e menos baba-ovo), mas alguma coisa ainda me intrigava.

Chegando em casa, na hora de guardar o livro na estante, percebi uma incrível coincidência: o livro tem o mesmo formato da revista Caramelo! E tem também a mesma forma 'clássica' (com disse a rapariga) de paginar. Ora pois!

Ou seja, o Coletivo é a Caramelo de gente grande!

E tem mais: começa com C e tem o mesmo número de letras. Por outro lado, 'letivo' tem relação com escola, de 'ano letivo' ou 'ano escolar'. Agora, se pegarmos só as consoantes e as vogais podemos chegar a conclusão que...

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06 novembro 2006

Lotação


Coletivo, em português, também significa 'veículo de transporte coletivo'. O Aurélio dá até um exemplo (tinha que ser o Drummond!):
"grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do coletivo, com uma bolsa preta de senhora"
Bom, hoje será lançado no Centro Universitário Maria Antônia (R. Maria Antônia, 294) o catálogo da exposição Coletivo, já comentado neste blog. Como (quase) tudo que é realizado pela CosacNaify, a publicação está bem editada.

O lançamento mereceu atenção dos dois principais cadernos culturais paulistas. No Caderno 2, em texto de Antônio Gonçalves Filho, o destaque é Artigas e Wisnik (colunista do concorrente); na Ilustrada (só para assinantes UOL ou Folha), a matéria é de capa - com texto de Mario Gioia-, com destaque para a foto com os integrantes do Una formando uma ridícula escadinha.

Bom, mas voltando ao Coletivo, certa vez Anatxu Zabalbeascoa, em texto no El País, comparou o star systems da arquitetura com um ônibus lotado: só sobe outro arquiteto se alguém descer. Será que é também este o significado do coletivo? E por aqui: quem vai descer e quem quer subir?


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