16 maio 2008

Sinal dos tempos?

O catálogo de livros com obras de arquitetos brasileiros atuantes da CosacNaify vai aumentar. Até agora, o time é restrito: Paulo Mendes da Rocha, Joaquim Guedes, Marcos Acayaba, Brasil Arquitetura e o Coletivo. Adivinhem quem entrará no hall da fama? Sim, ele: nesta semana, Ruy Ohtake tinha reunião marcada com o pessoal da editora para discutir seu novo livro.

Eu só não entendi uma coisa, Cassiano: a nova publicação será o início de um possível resgate da obra de Ohtake ou o é fim do controle de qualidade da Cosac?

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30 novembro 2007

A Lina é melhor do que o Paulinho?

Depois de ter sido ignorado na premiação do IAB/SP, o Museu Rodin, em Salvador - criado pelo Brasil Arquitetura - foi o grande vencedor do prêmio da Bienal deste ano. Anunciado ontem à noite, o prêmio da exposição geral de arquitetos destacou com o 2° lugar da categoria projeto executado o Programa Praça Escola, de Nova Iguaçu, realizado pelos cariocas Washington Fajardo (blogueiro! e secretário Adjunto de Projetos Urbanos da cidade), Adriana Sansão, Pedro Évora e Raul Bueno; e quatro menções honrosas: casa na Vila Romana (Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga); estúdio fotográfico na Vila Beatriz (André Vainer e Guilherme Paoliello); residência Pouso Alto (Newton Massafumi Yamato e Tânia Regina Parma, que já havia ganho a premiação do IAB/SP de 2004); e casa em Santa Tereza (Angelo Bucci).

Já na categoria projeto não executado, vexame para o IAB/SP e saia justa: ganhou o projeto vencedor do concurso do minhocão, do Zé Alves e da Juliana Corradini, cujo concurso o Instituto desaconselhou seus filiados de participar. Agora, num evento promovido pelo IAB, a proposta é aclamada vencedora! Que chato, heim? E o segundo prêmio da mesma categoria foi para o projeto do papai - ops! -, quer dizer, a Reurbanização Mooca Ipiranga, do Una (que tinha passado em branco na premiação do IAB 2006, perdendo para o Hector...).

Moral da história: quem espera, sempre alcança. Ou então, água mole, pedra dura...

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12 março 2007

Ainda moderno

Semana repleta de palestras em São Paulo. Primeiro na 15ª Feicon (Feira Internacional da Indústria da Construção - Feicon Batimat 2007, no Anhembi), as apresentações organizadas pelo IAB, tendo como mote a atuação de arquitetos brasileiros no exterior:

Dia 14 (quarta-feira), Ruy Ohtake apresentará o projeto da embaixada do Brasil em Tóquio e o estádio em Guayaquil;

Dia 15 (quinta-feira)
, Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci mostram o projeto do Bairro Amarelo, em Berlim, e casa na Finlândia;

Dia 16 (sexta-feira)
, Carlos Bratke explica o desenho dos edifícios que criou em Punta Del Este, Uruguai, e em Washington

Dia 17 (sábado!), Sérgio Parada expõe o projeto para o aeroporto de Wuxi, na China.
Já na Revestir 2007 (Transamérica ExpoCenter), as apresentações ocorrem dia 16 (sexta-feira):
15h00 - Carlos Faggin e Lucio Gomes Machado apresentam o tema Revitalização do Centro de São Paulo

16h30 - Henry Petroski (engenheiros dos Estados Unidos), terá como objeto Design e Tecnologia e Serviço da Arquitetura

17h30 - Henri Ciriani (peruano radicano na França, e que ilustra o post) apresenta a palestra Humanismo vs. Modernidade.
De Ciriani, melhor que as obras, são os desenhos. Os brasileiros, o que podem nos falar de novo? O tal engenheiro, especialista em análises de falhas de execução, parece ser o melhor da semana! Trocando em miúdos, nada muito animador...

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21 fevereiro 2007

Canudos é aqui

Que o Zé Celso gosta de bagunçar o coreto, todo mundo sabe. Mas o caso do Teatro Oficina versus Grupo SS é hilário. A história é a seguinte: o grupo do chefe do Lombardi possui lotes vizinhos ao teatro gerido pela viúva e pretende nele construir um centro de entretenimento. Depois de muitas idas e vindas, com o intermédio de Eduardo Suplicy, marcou-se um encontro entre os dois, frente à frente, em abril de 2004. O histórico encontro foi registrado pela Folha, que havia publicado dias antes uma carta aberta de Contardo Calligaris ao empresário, colocando o problema do Oficina.

Ele conseguiu modificar o desenho do espaço do Grupo SS - que passou das mãos de Júlio Neves para o Brasil Arquitetura (que foi descrito por Calligaris quase um ano depois). O projeto do Brasil Arquitetura é um shopping center - mas que mais parece as galerias do centro da cidade - que tem como ponto focal um grande teatro (que seria cedido a ele algumas vezes no ano). Além disso, os arquitetos propuseram a ocupação dos baixos da ligação leste-oeste, em frente ao teatro, com espaços de uso público. Agora, o Zé não gostou: quer que tudo seja transformado em teatro, como imaginou o Paulinho em seu antigo projeto.

Para tentar melar tudo, ele entrou com pedido de tombamento do teatro de Lina no Iphan; o núcleo de São Paulo negou, mas o do Rio aceitou! Se tombado for, a aprovação do complexo seria dificultada. Leia só um trecho da entrevista com o Zé Celso, no âmbito de sua visita a um prédio ocupado por sem-tetos, publicada ontem no Vermelho (site do Partido Comunista do Brasil):

"Que mais há de relação entre a Prestes Maia e o Teatro Oficina?
A relação é total. Os dois prédios estão ameaçados pelo poder instituído, seja o público ou o privado, e a ocupação dos sem-teto tem muito a ver com Canudos. O próprio Aziz Ab’Saber fez uma conferência na Prestes Maia e estabeleceu esta relação com Canudos, com os povos massacrados. Na terça-feira (20), possivelmente às 20h, vou levar os atores do Teatro Oficina para ocupação Prestes Maia, e vou vestido de Antônio Conselheiro, com uma batina e tudo.


Você vai tentar falar com o prefeito Gilberto Kassab (PFL-SP)?
Vou sim, mas acho que ele não vai me receber. Temos uma entrevista marcada sobre o Teatro Oficina, eu quero que ele realize o projeto Paulo Mendes da Rocha para o Minhocão e que ele apóie a revisão do tombamento do entorno do Teatro Oficina pelo Conselho de Proteção ao Patrimônio Histórico (Concresp). Eu confio que este prefeito, que outro dia se desculpou por haver ofendido uma pessoa [de vagabundo], pode ser um prefeito legal. Ele fez alguma coisa boa para a cidade, contrariou os interesses da classe média-alta ao propor uma lei que proíbe os outdoors, então não podemos ter só uma visão das coisas, ir contra ele sem pensar. Mas Kassab precisa conhecer a ocupação Prestes Maia, ele não pode fazer como foi feito Canudos, uma cidade que foi massacrada sem que os homens públicos soubessem o que havia por lá. Eu fui até a ocupação Prestes Maia, é maravilhoso, é sui generis. Esse povo de classe alta, os empresários e políticos, eles vivem fechados em ar condicionados, vivem em suas salas, eles não conhecem as coisas que estão destruindo."

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19 dezembro 2006

Prêmios, prêmios...


Ontem à noite foi divulgado, no Masp (meio vazio), o resultado da premiação do IAB/SP. Algumas surpresas. Bom, Marcelo Suzuki ganhou o prêmio Rino Levi como o Fórum de Cuiabá (imagem que ilustra o post), que havia passado quase incógnito pelo júri da 6ª BIA - que premiou a escola do FDE do MMBB e uma praça particular de Isay Weinfeld.

Outro inesperado resultado do prêmio IAB/SP, que deve ter causado uma úlcera em alguns projetistas: a escola particular de Biselli e Katchborian, que subverte a espacialidade do brutalismo paulista, ganhou das propostas públicas de Bucci/Puntoni e de Ubyrajara Gilioli, que ficaram em segundo plano, com menções honrosas.

Já o Museu Rodin - que inaugura hoje e ganhou um prêmio na Argentina e outro na Bienal de Brasília - não tem valor nenhum para o júri do IAB/SP...

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30 novembro 2006

Com açúcar e com afeto


Hoje, às 18h, Paulo Mendes da Rocha dará uma palestra em Piracicaba, interior de São Paulo. O evento, aberto ao público, vai abordar o projeto que ele está desenvolvendo para o Engenho Central, construções do século 19 que ocupam uma gleba de 300 mil metros quadrados na margem do famoso rio.

O espaço já foi alvo de diversos projetos, entre os quais um desenvolvido pelo escritório Brasil Arquitetura, que foi solicitado pela administração anterior (dirigida por José Machado, do PT). Na ocasião, Piracicaba foi alvo de diversas propostas arquitetônicas - destacadas em sala da Bienal de Arquitetura de São Paulo -, como, por exemplo, o Projeto Beira-Rio (de Renata Leme, Eduardo Martini, Mônica Salim e Fábio Rolim) e o Memorial à República (concurso vencido por Álvaro Puntoni e equipe).

Além da revitalização das antigas construções, o estudo preliminar de Mendes da Rocha prevê a construção de um hotel e de uma área de convenções - esta última marcada por uma grande cobertura borboleta com calha central. Apresentado a atual gestão (o prefeito é Barjas Negri, do PSDB, ex-ministro da saúde de FHC) oficialmente em agosto, a proposta está sendo encabeçada por Rubens Ometto, chamado de 'rei do açúcar' por ser o maior usineiro do país, cujo grupo fatura dois bilhões de reais/ano. A escolha de Mendes da Rocha foi afetiva, uma vez que Ometto já o conhece de longa data.

A idéia é alvo de contestações, motivo de abertura de inquérito pela promotoria de Justiça de Cidadania e do Meio Ambiente. Por isso, o evento, que acontece no anfiteatro do Centro Cívico (rua Antônio Corrêa Barbosa, 2233, tel. 19-3403-1000), tem por objetivo esclarecer detalhes do projeto para a sociedade civil. É esperar para ver o que vai dar.

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11 setembro 2006

Brasil em pauta

Não, não estou lembrando os festejos do Ano do Brasil na França; refiro-me ao escritório paulistano Brasil Arquitetura - de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci - pauta de três publicações recentes.

Um obra deles, o Museu Rodin Bahia, teve a capacidade de encantar os editores das duas únicas revistas de arquitetura do país: ela ilustra as reportagens de capas de ambas. Primeiro, saiu a Projeto, na semana passada; agora, chega aos assinantes a aU. Na primeira olhada, a Projeto parece melhor, graças as fotos do Nelson Kon. A aU, apesar de dar mais destaque as plantas, comete erros infantis na página dedicada a elas.

E para finalizar, um artigo de Hugo Segawa, no caderno Mais! de ontem, também colocou o Brasil Arquitetura em pauta. Neste caso, restam duas perguntas:

1. Por que o Wisnik, crítico da Folha, não fez a resenha?
2. O livro já não é velho demais para ser resenhado em um jornal diário?

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