04 outubro 2007

Pecados arquitetônicos? (2)

Em relação ao polêmico texto do Wisnik publicado em sua coluna na Folha no dia 24 de setembro - em que o autor comenta a obra de Biselli e Katchborian (assunto de um post), recebi uma carta que circula na internet. Quem me passou pede anonimato - mas posso garantir que é um leitor ilustre deste blog.

A carta foi escrita por Julio Vieira, arquiteto formado no Mackenzie em 1987 e que durante mais de 10 anos foi funcionário da Itauplan. Como profissional assalariado, entre outras coisas, ele desenhou aquela interessante agência do Itaú na Berrini, aquela outra em frente ao Pacaembú, e um edifício na Faria Lima. Hoje, Julinho tem escritório próprio e é professor no Mackenzie. Enviada a redação da Folha, a missiva não foi publicada. Para estimular o debate sobre o tema, publico-a aqui - sem autorização do autor, que, se desejar, tiro-a do ar. Ai vai:


"Carta aberta ao Sr. Guilherme Wisnik

Tendo lido seu texto publicado na Folha de São Paulo (24/09/2007) sobre o recém-lançado livro da dupla de arquitetos paulistas Biselli e Katchborian, em uma coleção intitulada “Arquiteto Contemporâneo Brasileiro” (Ed. Romano Guerra, 2007), com textos de Alessandro Castroviejo e Mario Figueroa, tive a curiosidade inicial de saber o que pensava o autor que, junto com Ana Vaz Milheiro e Ana Luiza Nobre, publicou recentemente (2006) o livro “Coletivo: Arquitetura Contemporânea Paulista”, sobre a produção de seis escritórios paulistanos, todos compostos por ex-alunos da FAUUSP.

Naquela ocasião, ninguém com quem tive a oportunidade de comentar o fato, duvidava da qualidade daquela produção, nem questionava o direito legítimo desses arquitetos de publicarem seus trabalhos, contribuindo assim para a discussão dessa produção contemporânea, ainda em curso. O que as pessoas questionavam, muito justificadamente, era a inadequação do título que, impreciso e generalizador, insinuava ser um recorte na produção contemporânea em São Paulo, quando na verdade sabemos que este não se expandiu além das cercanias da cidade universitária, no Butantã.

Diante deste quadro, não tinha muitas expectativas de um relato entusiasmado da sua parte, uma vez que não somente a produção de Biselli e Katchborian, mas uma vasta produção de boa arquitetura em São Paulo, havia sido ignorada naquela edição.

O que de fato surpreendeu foi a forma descuidada com que o Sr., autor de reconhecido valor, procurou estruturar sua crítica. Por meio de um texto excessivamente superficial e apressado, vago e aparentemente inacabado, o Sr. deixou rastros indisfarçáveis de preconceito e arrogância. Primeiro, ao aludir às declaradas referências projetuais de forma pejorativa e desrespeitosa. Depois, em uma decisão de deliberada má fé, ao eleger como gancho de sua argumentação a referência a Oscar Niemeyer, quando os arquitetos, na verdade, só sutilmente a invocam para justificar certos procedimentos de linguagem, como o texto de Castroviejo bem percebe:
“Nas obras mais recentes, insinua-se uma admiração por Oscar Niemeyer, embora nada em suas obras indique algo próximo de uma postura ou programa de arte que problematize a brasilidade, os regionalismos ou coisas afins.”
É preciso dizer algo mais?
Fica evidente o compromisso de Biselli e Katchborian – e a dupla deixa isso bem claro – com a discussão internacional, esta sim merecedora de maior destaque em qualquer crítica que se possa fazer dessa produção.

Outro ponto curioso em sua argumentação trata da suposta “ambição autoral” dos arquitetos, como se fosse possível e desejável a qualquer pessoa prescindir desse direito legítimo, mesmo quando o discurso possa apontar para uma inconvincente autoria coletiva – o que de fato não acontece de forma estrita nem mesmo com o grupo que consta de sua já referida publicação. Nunca é demais lembrar que Biselli e Katchborian têm em seu currículo a participação freqüente de uma variedade ampla de colaboradores, alguns bem conhecidos de nosso meio.

Me surpreendeu também a forma negativa com que o Sr. se referiu à discussão da pós-modernidade (que o Sr. chamou de moda) reivindicada pelos arquitetos em seus trabalhos inaugurais.
Não vejo necessidade de tentar explicar a importância que essa discussão teve para àqueles que, como eu, se formaram naquela época no Mackenzie, até porque o texto de Castroviejo expõe esse quadro com muita competência. O que causa perplexidade é constatar seu aparente desprezo pela matéria, sendo o Sr. um respeitável crítico de arquitetura contemporânea.

Outro caso flagrante de preconceito se nota ao sugerir o texto uma certa vocação do escritório para se destacar em meio à produção corrente de arquitetura corporativa, cujo valor o Sr. indisfarçavelmente questiona . Pior ainda quando chama de “mero estilismo” aquilo que qualquer arquiteto competente identificaria como valores de uma boa arquitetura. E ainda, num gesto ensaiado de complacência, alude para a destacada habilidade dos arquitetos no agenciamento das operações compositivas, mas adverte:
“Nem toda arquitetura solicita um enorme esforço de justificação teórica”.

Finalizando, o Sr. ensaia timidamente uma argumentação para justificar um problema constatado na transposição dos projetos (muito bem proporcionados e representados pelos desenhos e perspectivas eletrônicas) para as obras construídas, sugerindo uma redução de qualidade nesse processo, explicada em parte pela insuficiência de recursos de nossa tecnologia local. O que parece ser um falso argumento quando se olham com atenção as imagens e fotos que o livro nos expõe. Fotos que resistem a uma aproximação maior da câmera, coisa rara nas publicações mais recentes.

Enfim, o Sr. suprimiu informações fundamentais em sua crítica e deixou um grande vazio no lugar, esquecendo-se de falar, por exemplo, da rica espacialidade dos edifícios e da consistência das propostas plásticas. Da singularidade da investigação proposta por Biselli e Katchborian, sem amarras ideológicas e conceituais, e da grande sensualidade e prazer que advém dessa experiência, não competindo a nós saber de antemão a real contribuição que esta produção legará para a história.

Ou seja, faltou ser honesto. Honestidade que não faltou ao texto de Castroviejo e às inúmeras imagens e desenhos presentes no livro. O que facilita muito o meu trabalho aqui, pois o livro é muito bom e fala por si, sobretudo para aqueles arquitetos que, como eu, gostam de boa arquitetura e dispensam a mediação de qualquer crítico.
Agora, o que dizer a respeito do fato em si? O que o levou a ser tão parcial em suas avaliações?
Bem, talvez este seja um tema para se discutir em algum fórum específico. Tenho motivos para acreditar que a aderência seria ampla e deixo aqui a minha sugestão para um título apropriado:

“Da arquitetura corporativa e da corporativista”


Respeitosamente.
Arqto. Julio Vieira."

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24 setembro 2007

Pecados arquitetônicos?


Hoje o Wisnik deu um pau no Biselli em sua coluna semanal na Folha (disponível só para assinantes do jornal ou do UOL). O contexto do ataque foi o livro recém-publicado, com texto do Sandro. Leiam um trecho:

"...continuam essencialmente pós-modernos, agenciando "estilos" em operações compositivas. Tal agenciamento é, sem dúvida, habilidoso. O que faz com que sua obra se destaque do padrão médio, alçando-se muito acima, em termos de qualidade, da arquitetura corporativa que se faz hoje em São Paulo. Digo isso porque o porte dos projetos recentes do escritório os credencia a ocupar esse mercado.


Contudo, nota-se também uma clara ambição autoral em sua produção, sobretudo naquela de maior escala, afirmando-se através de uma gestualidade plástica invocada como um processo de "redescoberta formal de Oscar Niemeyer". Ora, mas o que significa "redescobrir" Niemeyer a essa altura do campeonato, como que pinçado num catálogo de referências? Os arquitetos, ao que parece, assumem com naturalidade os princípios compositivos como ferramenta principal de projeto, bem como o uso de determinados materiais como marca, assinatura. Fica, no entanto, a pergunta: o que os afastaria do mero estilismo? Nem toda arquitetura solicita um enorme esforço de justificação teórica. A maioria, aliás, não. É produção corrente, de maior ou menor qualidade"


Resumindo: o cara cria uma arquitetura de mercado, tem ambição autoral, mas no fundo é um estilista. É isso mesmo?

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16 maio 2007

Cacuetes arquitetônicos (2)


As imagens, enviadas por um ilustre leitor, revelam algo, não? Além, é claro, da infelicidade da edição (a primeira de maio de 2007; a segunda, de agosto de 2003) - note: até a estrutura coincide!
Mas, saindo da esfera editorial, o negócio é o seguinte: todo arquiteto que se preze, acorda segunda-feira com uma coisa martelando na mente. Enquanto ele(a) toma café com leite e come pão com mantega, olha para a(o) companheira(o) e diz: "ah, tô com uma vontade de usar um ripado! Mas não sei aonde?"

Substituindo os brises de outrora, os ripados estão com tudo: ajudam na proteção térmica, diminuem a transparência, criam profundidades distintas ("claro-escuro"), ligam-se com a história etc.
E os profissionais que as usam estão em todas as esferas da profissão, heim? Desde a turma da Casa cor, passando pelos grupinho fashionista e até mesmo pelo coletivo da Gal. Jardim: ao contrário das canjiquinhas, ninguém (ainda) se envergonha do ripadinho! É na escolinha, é na casa da tia, é no fórum de justiça, é na capela, é na loja... dá-lhe ripado! Não importa a madeira e seja em que programa for, lá está ele, imponente e majestoso, como se fosse original!
Já me falaram até que tem gente desenhando ripado na face sul... mas é para dar privacidade ao excesso de aberturas que eles mesmos criaram, ora!

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07 maio 2007

Samba do crioulo doido

Já imaginaram um papo entre Jorge Elias e Abílio Guerra? Bom, é mais ou menos este o resultado da matéria de capa publicada pela Vejinha nesta semana. Na pauta, os dez jovens profissionais/equipes que "estão mudando a cara da cidade". Para fazer a seleção, a publicação "ouviu feras da área como Ruy Ohtake, Abilio Guerra, Isay Weinfeld, Jorge Elias e Brunete Fraccaroli". O resultado só poderia ser tão eclético como as "feras".

Entre os escolhidos, 50 % da seleção é composta por figuras carimbadas na mídia especializada: MMBB, Biselli, Núcleo Arquitetura, Una e Andrade Morettin. A turminha que usa aquele adesivo no carro: "Eu amo a Gal. Jardim".

Na sequência, 30 % das equipes estão no meio termo, mais para o lado 'moderninho', fashion, ou seja mundinho Casa Vogue: Triptyque, Marcelo Rosenbaum (que nem arquiteto é...) e Carolina Maluhy/Isis Chaulon (pupilas de Isay). Estes, são facilmente identificados pelo bóton: "Dou uma perna para fazer uma loja de esquina na Oscar Freire".
Por fim, a minoria (20%) dos escolhidos fazem o gênero "Adoro Casa Cor": Fernanda Marques e Carolina Molinari/ Thales Drummond (quem?).
Bom, quem gostou do resultado deve agradecer ao Abílio. E, queiram ou não, ao Ruy e ao Isay também... Para quem não gostou, resta cantar: "O, ô , ô, ô, ô, ô /O trem tá atrasado ou já passou"

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13 março 2007

Boxe de arquitetos?


Façam suas apostas. Niemeyer versus Mendes da Rocha? Ohtake contra Botti? Ou Biselli versus Bucci? Ou então Roberto Candusso contra Júlio Neves? Calma, ainda não divulgaram os nomes, mas haverá uma seletiva de boxe para os Jogos Pan-Americanos na Associação dos Engenheiros e Arquitetos do ABC! Quem deu a notícia foi o Repórter Diário.
O evento acontecerá entre 21 e 24 de março. Já comprei os ingressos mesmo não sabendo quem lutará contra quem...

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19 dezembro 2006

Prêmios, prêmios...


Ontem à noite foi divulgado, no Masp (meio vazio), o resultado da premiação do IAB/SP. Algumas surpresas. Bom, Marcelo Suzuki ganhou o prêmio Rino Levi como o Fórum de Cuiabá (imagem que ilustra o post), que havia passado quase incógnito pelo júri da 6ª BIA - que premiou a escola do FDE do MMBB e uma praça particular de Isay Weinfeld.

Outro inesperado resultado do prêmio IAB/SP, que deve ter causado uma úlcera em alguns projetistas: a escola particular de Biselli e Katchborian, que subverte a espacialidade do brutalismo paulista, ganhou das propostas públicas de Bucci/Puntoni e de Ubyrajara Gilioli, que ficaram em segundo plano, com menções honrosas.

Já o Museu Rodin - que inaugura hoje e ganhou um prêmio na Argentina e outro na Bienal de Brasília - não tem valor nenhum para o júri do IAB/SP...

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16 outubro 2006

Será que ele vêm?

Organizado pela revista AU, o Seminário Arquitetura e a Criação de Marcos Urbanos terá como estrela maior o italiano Massimiliano Fuksas. Além dele, estão confirmadas as presenças de Marcelo Ferraz e Mario Biselli.

E por falar em Biselli, ele fazia parte da organização que tentou trazer, em 1999, o italiano para o Brasil, em evento da Faculdade Belas Artes. Na última hora, ele não veio: exigiu uma passagem de primeira classe também para a mulher dele...

O evento, até segunda ordem, está programado para o dia 23 de outubro, a partir das 14h, no Hotel Renaissance (Alameda Jaú, 1620), em São Paulo. Inscrições pelo telefone (11) 3352-7501 ou pelo e-mail encontroau@pini.com.br .

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