18 dezembro 2008

"Cidade de todas as músicas"

É hoje. Às 20h, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto Minczuk regerá o Hino Nacional. Depois, o concerto continua com um sinfonia inédita de Edino Krieger e, por fim, a IX de Beethoven. Desta forma, será aberta (ainda parcialmente) a Cidade da Música - primeira obra de Christian de Portzamparc no Brasil.

A coisa foi polêmica. Claro, São Paulo é um mundo a parte e nossa impressa pouco falou do projeto. Nem mesmo no meio arquitetônico houve interesse (para os desavisados, há um vídeo no You Tube que mostra a obra e Portzamparc que, apesar de institucional, dá para ter uma ideia do projeto; há também o resumo da ópera em artigo de Serapião na piauí deste mês - ainda não disponível na net).

Mas no Rio, de um modo geral, a "massa crítica ipanemense" não pode ouvir falar no projeto. Por que? Há uma salada mista que envolve bairrismo, política e escândalo de orçamento. "Por que na Barra?", se perguntam. "O César Maia?", continuam. "Quanto? 600 milhões de reais?", finalizam o diálogo.

Agora, fica uma pergunta no ar: será a arquitetura de Portzamparc a redentora de toda polêmica?

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30 Comments:

Blogger isa said...

Alenca....vc voltou?!!...achei que já tava de férias...
mas responde gostou do projeto? pra mim potzamparc sempre foi meio time B assim do star system arquitetônico....

1:03 PM  
Blogger Alencastro said...

Oi Isa. Não estava, mas vou logo entrar. Estava viajando a trabalho...

Bom, quanto ao projeto eu gosto sim. Aliás, sempre gostei das obras do Portzamparc e seu jeito low-profile de ser.

1:11 PM  
Blogger Ricardo Rossin said...

Passei por la quando estive no Rio mas não parei para ver.
A obra parece interessante, mas o Portzamparc eu não conheço quase nada dele. Mas ele também não é de se mostrar muito não é??

1:18 PM  
Blogger Paulo Varandas said...

O projeto realmente é muito bom.Do Portzamparc acho que eu só não gosto de um edifício comercial que ele fez parecido com uma bota.

1:37 PM  
Blogger Alencastro said...

Oi Ricardo. A obra dele é anterior ao star-systems. O francês fez sucesso do início dos 80' até meados de 90'. Depois, pós-Gugg-Gehry, ele ficou no limbo.

Contudo, deu uma grande contribuição ao participar ativamente do processo de revalorização da cidade tradicional mesclada com linguagem contemporânea.

3:17 PM  
Blogger Alencastro said...

A bota é a torre de Lille, Paulo. Muito interessante, eu acho.

3:19 PM  
Anonymous Anônimo said...

600 milhoes? ou 450 segundo alguns outros lugares... que seja. pq ainda reclamam do herzorg e de meuron. la sao 95 mil construidos e aqui qto será? Mas isso nao importa mto. o lance é... finalmente voltamos a gastar dinheiro com arquitetura de qualidade. o qto estamos gastando? calma, ainda nao estamos como barcelona onde tudo oque é novo e de grande porte é de gringo.será um sinal da valorização dos arquitetos? SIZA, PORTZAMPARC, HERZOG E DE MEURON SAO SINAIS DE VALORIZAÇAO? DE PARTE DOS BRAZUCA A TENTATIVA É GRANDE, COM ALGUNS SUCESSOS. mto bem vinda a cidade da musica e mto bem vinda a sede da São Paulo Companhia de Dança.

4:06 PM  
Blogger isa said...

poxa alencastro...primeira vez que eu vou descordar de vc...eu respeito muito mesmo sua opinião, mas apesar de eu ter gostado mesmo desse projeto da cidade da musica, em geral eu não sou mto fã do trabalho do potzamparc....
e boas férias pra vc!

8:48 AM  
Blogger AM said...

que argumentação mais sem jeito alencastro
a obra do cristiano é anterior ao (actual...) star-sistema? e a obra do doido do gehry não é?
apenas a título de exemplo, o gehry foi pritzker em 89 e o cristiano em 94...
com tanta curva será que você não está confundindo cristiano com niemeyer? :)
estou com a isa :)
cristiano é time B

9:05 AM  
Blogger Alencastro said...

É isso, anônimo.

9:52 AM  
Blogger Alencastro said...

Nada Isa, minha opinião está longe de ser uma unanimidade. Graças a Deus.

9:53 AM  
Blogger Alencastro said...

Caro AM, vamos ver se você me entende.

A importância da obra de Portzamparc é anterior ao atual star-system - que só surgiu para o mundo real (e não arquitetônico) depois do Guggenheim de Bilbao. Claro, a produção do Gehry é paralela a do Portzamparc (aliás, o canadense é 15 anos mais velho que o francês). Mas Portzamparc influenciou mais e foi mais importante para a arquitetura antes que Gehry o fosse.

Vamos aos fatos. Les Hautes-Formes é de 1975. Mudou completamente o approach de inserção de um edifício novo em relação a cidade tradicional. Influenciou toda uma geração de arquitetos europeus.

A casa do Gehry, primeira obra minimamente interessante dele, é de 1978. O Air and Space Exhibit Building, uma porcariazinha, é de 1982. O Vitra é de 1989. Ou seja, até então todos no meio conheciam Gehry mas quem ele influenciava? Ninguém. Era um cara da vanguarda da Califórnia, nada mais. A importância dele para a arquitetura só ocorre depois de 1997, quando foi inaugurado o museu de Bilbao. Este o ponto zero do star-system. Ai ele passou a influenciar a todos - não pela forma, mas pela potência.

E o ponto auto da carreira de Portzamparc foi a Cidade da Música de La Villete, que é de 1984-95, ou seja, ante do ponto zero. Certo?

Quanto ao Priztker, caro AM, nada mais óbvio: Gehry ganhou antes pois é um prêmio norte-americano e ele era o queridinho de Philip Johnson. Só isso. Ele estava quase no fim de uma extensa lista do que existia de razoável nos Estados Unidos. Keven Roche (já ouviu falar?) ganhou antes dele. De 11 premiados antes do Gehry, 5 são dos Estados Unidos. Dois anos depois dele veio o Venturi. Ou seja, até ali, era praticamente um prêmio ianque. Depois disto (ou pela falta de novidades na terra do tio Sam) o Pritzker se internacionalizou - leia-se Europa no lugar de internacional - e demorou outros 16 anos para que outro profissional atuante nos EUA fosse premiado. Não se pode considerar esse prêmio como sintoma de nada (aliás, só de prestígio junto as pessoas que o julgam). Mas, alguns poucos, como Portzamparc, ganharam na hora certa: no caso dele, logo depois de La Vilette.

É isso ai.

10:28 AM  
Blogger AM said...

caro alencastro

não vou discutir os seus "factos" ("facts are simple and facts are straight"...) mas acho que você exagera a influência do CdP sobre os arquitectos europeus
dizer que um projecto mudou uma geração acho que é mesmo um grande exagero
a inserção de novos edifícios na cidade "tradicional" era e é um "debate" sempre em curso e eu não conheço nenhum projecto (ou mesmo um arquitecto) que tenha tido essa bola toda...
quanto ao gehry (já vi que você não gosta...) acho que também exagera
afirmar que a primeira obra minimamente interessante do cara é a casa própria é muito má vontade, (ou gozação, ou elogio da cegueira...) da sua parte
eu gosto muito do estúdio Danzinger (logo de 65...), das primeiras casas e estúdios para os amigos, dos primeiros edifícios públicos em "rede" como o Museu de Cabrillo e o Santa Monica Place
o Air and Space Exhibit Building está longe (longe...) de ser uma "porcariazinha" mas não quero vasculhar o seu caixote do lixo
não acho a arquitectura do CdP nada de excepcional para ganhar um prémio que para o bem e para o mal tem uma importância excepcional
a obra do Rio de Janeiro parece ser uma das suas melhores obras
diria que foi influenciado pelo "clima" (da arquitectura) brasileira da mesma (boa) maneira que o Siza foi influenciado em Porto Alegre

(conheço o Kevin Roche e muitos outros mas não quero estar mais para aqui a "sacar" nomes e a comparar tamanhos...)

feliz natal

2:14 PM  
Blogger Alencastro said...

Caro Antonio Machado, vamos lá.

Para argumentar a respeito da debilidade da influência de Portzamparc na arquitetura européia é só você me dar uma (eu disse uma) referência do mesmo peso de Les Hautes-Formes mas anterior. Fico esperando ansioso por sua resposta.

É claro que havia uma discusão internacional a respeito do tema (que não é SÓ a inserção de um novo prédio na cidade tradicional - isso é muito mais velho -, mas a inserção de um novo prédio na cidade tradicional criando uma costura entre o velho e o novo). Evidente que ele não chegou lá sozinho - eu não disse isso. Mas, de fato, ele foi pioneiro no que diz respeito a criação de um projeto com estas características -nada a ver com teoria. E isso é grande coisa.

Quanto ao Gehry, gosto dele sim, como não? Mas, espera ai: o estúdio Danzinger é uma obra juvenil, com influências de Wright e Neutra. Os outros exemplos citados por ti avançam um pouco, mas ainda não são nada. Visitei todos estes prédios e lhe digo: são fracos. O interresse nestas obras se concentra em um único caso: na análise do desenvolvimento da obra de Gehry. Ponto. Só. Se ele não tivesse chegado lá estas obras seriam desprezíveis para a história da arquitetura.

Para finalizar, quanto a "importância excepcional" do Pritzker, serve minha argumentação anterior. Tipo: "Keven Roche?". A mesma pergunta pode ser imposta a outros: Philip Johnson? Gottfried Boehm? Gordon Bunshaft? Fumihiko Maki? Mendes da Rocha? Que prêmio é esse? Só faltou incluir o Tomás Taveira... Tá bom, tá bom: isso foi só uma provocação...

Desejo-lhe também mais luz no próximo ano.

3:34 PM  
Anonymous Alberto said...

A bota é o "Crédit Lyonnais" lembra ?

Alias, falando da época pré star system, lembra do projeto nexus, no japão? Imagina hoje...

Portzampac é um dos meus outsiders preferidos também. Tem uma linguagem estabelecida sem ser limitante, como o que virou o Gehry, o que não é pouco.

Pena o Pretzel a leh manchar o currículo.

PS sobre o post-aditivo acima: que dúvida.

5:41 PM  
Blogger AM said...

:) caro alencastro

os 70's não são o meu forte :)
só posso falar pelos livros, e pelos livros não é costume ver "Les Hautes-Formes" elevados a tais píncaros
(na terceira versão revista e alargada da história crítica do Frampton - que para estas coisas ainda serve - o CdP só é mencionado e muito ao de leve como o autor do edifício da cidade da música no contexto dos "grandes projectos" para Paris)
pede-me outro(s) exemplo(s) de igual valor...
a década de 70, entalada entre a crise do moderno e o kitch pós-moderno do "capitalismo tardio" não tem grande salvação :)
não dou exemplos de obras em concreto mas posso arriscar no nome de dois ou três autores: Rob e Léon krier, Aldo van Eyck e Theo Bosch, Christopher Alexander - estou para aqui a espreitar uma planta na edição portuguesa do "Depois da Arquitectura Moderna" do... Paolo Portoghesi... :)
e temos as obras do SAAL do nosso Siza... (logo a seguir ao 25 de abril...)
enfim, não quero transformar isto numa "querela" nem numa "tese", mas estou certo que existem muitos outros... espanhóis, italianos...
desde o fim segunda grande guerra, vista a necessidade de reconstruir (e de "salvaguardar"...) a cidade tradicional, que o "tema" andava no ar...
não é uma obra residencial mas confesso que gosto particularmente da escola de Urbino do Giancarlo de Carlo... embora, e já agora que escapei da habitação, também pudesse entrar pelo chamado "economist building" dos Peter e Alison Smithson... sim, acho que é mesmo o melhor exemplo de "costura entre o velho e o novo" (ainda) sem os excessos historicistas dos PO-MO
ufa! fez-me suar... :)
agora vou voltar a arrumar os livros... :)

sem animosidade :)

antónio

5:50 PM  
Blogger Alencastro said...

Hoje não daria certo, heim Alberto? O Legorreta, outro dia em uma entrevista, disse alguma coisa como: "ponha os 10 melhores edifícios do ano enfileirado e você terá a avenida mais feia do mundo". Por outro lado, o star-systems inflacionou os egos...

Quanto a questão da linguagem, concordo plenamente.

PS. sobre o post acima: a inauguração foi cancelada de vez. Nado hoje, nem amanha nem semana que vem. Só na próxima gestão. O novo secretário falou em mais seis meses de obra, se tiver dinheiro. E a equipe do francês está sem contrato a partir do dia 1°.

6:33 PM  
Blogger Alencastro said...

Sem animosidade alguma, antónio. Estamos conversando civilizadamente. Aprendo muito nestes comentários.

A verdade é que o que eu escrevi é a minha opinião, não a do Frampton - que respeito, mas tenho ressalvas. Como disse: todo desenvolvimento em arquitetura é um processo coletivo. Mas alguns tem a sorte de colocar no papel primeiro. E o Portzamparc a teve. Sim, os italianos foram importantes nesse processo. Mas ninguém criou nada como Les Hautes-Formes.

Os outros autores que você citou - Rob e Léon krier, Aldo van Eyck e Theo Bosch, Christopher Alexander - tem sua importância. Mas são obras carimbadas com um grande "ANOS 70" ou "POS-MODERNO".

Portzamparc, assim como Siza, faz a ponte entre o POMO e a arquitetura atual. E a diferença entre ele e Siza é que ele tem a sorte de dar a resposta para a grande cidade tradicional - no caso Paris - e não para o vilarejo, como Évora. Assim, por exemplo, sua postura pode ser replicada em cidade importantes, culminando, obviamente, com a renovação de Barcelona. Lógico que ele não é responsável solitário por tudo isso, mas tem uma parcela de importância.

Assim, se Portzamparc está no pólo da valorização do edifício integrado na cidade, Gehry está do outro lado do ringue defendendo o edifício isolado, como jóia da contemporaneidade. E agora: de que lado ficas?

6:47 PM  
Blogger AM said...

évora é uma cidade importante :)
em abstracto fico do lado da cidade, da integração, do contexto e dessas coisas todas, mas no caso em concreto não fico de lado nenhum porque eu não concordo com essa divisão ou com essa leitura
o GUG de Bilbão do FOG, para ir à obra mais importante (ou apenas à mais famosa?) é tão contextualista e urbana (embora de uma maneira completamente diferente) como o são a maior parte das obras do CdP
a vossa casa da música é tão escultural anti-urbana e contemporaneamente "icónica" como o GUG de Bilbão (ou muitas do Niemeyer...)
a obra do Aldo van Eyck e os livro do Christopher Alexander estão (antes e depois...) para além do PO-MO
CdP desenvolve a sua obra com grande coerência, mas lamento, na maior parte das obras, aquilo não (ultra) passa o "sabor do tempo", ou, como dizem os gringos, "the flavour of the month"
para mim, o grande "dilema", a grande escolha da arquitectura contemporânea, está entre a arquitectura "genérica" do Venturi e a arquitectura "genérica" do Kualhas...
curioso como a mesma palavra pode querer dizer coisas tão diferentes e, em grande medida, opostas...
ou nem por isso... já que também chamavam de arquitectura realista, o Venturi e o Rossi...
quanto ao Siza, o Mestre tem outros projectos e outras obras (com outra escala) que abordam e "problematizam" melhor essa relação com a cidade pré-existente

nota: essa ideia dos 10(0) melhores edifícios postos lado a lado é completamente sinistra e está a acontecer na "inner Mongolia", em Ordos...

7:20 PM  
Anonymous Alberto said...

touché. mas ligando a conversa do hautes formes com a avenida mais feia do mundo, quem anda levando a cidade em consideração hoje em dia hein?

PS: E nada da sexta-feira acabar...

7:34 PM  
Anonymous Anônimo said...

Alen, acompanho sempre seu blog, que por sinal é ótimo. E, dessa vez não posso ficar de fora, já que minha querida cidade está sendo citada. Não conheço muito o trabalho do Portzamparc, mas acho o projeto bem interessante. Não acredito que a polemica seja gerada pelo projeto ou por seu autor ou ainda pela localização da obra, mas sim pelo investimento. Certamente o governo deve financiar a arquitetura, mas existem questões emergenciais que continuam na fila de espera. Uma delas é o término da construção da estação de tratamento de esgoto de Jacarepaguá, obra visinha à cidade da música. Essa obra foi inicidada na época do Pan e só durou durante o evento, hoje está completamente largada. E como esta existem inumeras outras. Sou estudante de Arquiterura e Urbanismo e entendo a importância de investir em arquitetura, mas sinto na pele as necessidades da minha cidade. Não sou contra a Cidade da Música, não me entenda mal... sem dúvida foi uma grande... e grande mesmo... aquisição para o Rio, mas o nosso prefeito César Maia precisa ser um pouco mais prefeito e menos marketeiro.
Tati Herrera.

12:02 PM  
Blogger Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Alencastro, que bom que apareceu.

Bom, como não por em cheque obras públicas no Brasil?

Um país onde civis e militares furtam donativos;
juízes, desembargadores e advogados vendem sentenças;
mensaleiros, sanguessugas e afins livres;
o governo afaga neodespotas e ataca países de indubitável democracia e prosperidade econômica e social;
o subordo é prática costumeira nas empresas, quisá no Poder Público;
nosso IDH piorou;
institutos como o IPEA, por incrível que pareça, afirmam que a desigualdade social aumentou nos últimos anos e a concentração de renda fica cada dia nas mãos de poucos;
a educação, a saúde e a segurança sempre deixam a desejar...; Ufa! O Brasil anda um passo pra frente e dois pra trás.

Enfim, a corrupção e a impunidade estão encrustadas na sociedade brasileira e não chocamos com nada disso mais. Normal, portanto, que a Cidade da Música gere tanta polêmica. Ainda que comprovem que sejam inexistentes.

Fora esse meu falatório que está se tornando, infelizmente, lugar comum, penso que, desde que não existam ilegalidades e irregularidades nas contratações desses serviços arquitetônicos, acho ótimo que venham arquitetos estrangeiros: bons ou ruins.

Portanto, respondendo sua pergunta, claro que uma boa arquitetura não justifica a ilegalidade nem absolve corruptos. "Desviei verbas, embolsei subornos, superfaturei a obra, mas todos garantem que é um marco arquitetônico." Chega do "rouba mas faz". Não estamos falando de legítima defesa, que exclui a ilicitude de quem a pratica.

Então, que os órgãos competentes apurem as polêmicas e condenem eventuais criminosos. Assim, estudaremos Christian de Portzamparc livres de qualquer dúvida. Tranquilos.

PS: Adoro os debates. São enriquecedores.

4:27 AM  
Anonymous Anónimo said...

Alencastro, Pritsker pro Taveira é mais que provocação....

Não consegui puxar pela memória nem pelos livros para acrescentar algo ou não (antes de 75!) ao seu exemplo cabal. Você foi tão taxativo que parece que dá pra falar em era(ACdP e DCdP)!
Talvez tenha razão na assertiva de que ele executou antes algo que estava latente em alguas tentativas.
Minha cabeça só se lembra agora de alguns projetos do James Stirling.
Abraços.
Anónimo.

11:36 AM  
Blogger Alencastro said...

Ninguém disse que Évora não é uma cidade importante. Mas tem 40 mil habitantes - é quase uma aldeia. E outra: Siza deu uma resposta de como criar um bairro novo em uma cidade histórica; Portzamaparc criou um conjunto habitacional dentro de um tecido já existente. São propostas muito diferentes.

Agora dizer que as obras do FOG são contextualista é forçar a barra. Não concordo.

Quanto ao fato da Cidade da Música ser escultural, sim, é isso mesmo. Mas se você ler os depoimentos de Portzamparc a respeito verá que há plena conciência disto. E mais: é a resposta dele regeneradora ao urbanismo moderno do lugar.

Acho a "obra do Aldo van Eyck e os livro do Christopher Alexander" muito mais datados do que Portzamparc.

PS: você causou-me um problema - estimulou os "comentários gigantes"...

11:44 AM  
Blogger Alencastro said...

Acho que pouca gente, Alberto. A arquitetura contemporânea parece brinquedos dispostos nas prateleira da Toys'R'us. E os clientes possuem apetite de criança: cada semana, querem uma novidade. "Mamãe, posso comprar o novo H&dM?", ouço. "Papai, compra o Gehry astronauta?", também já escutei.

11:50 AM  
Blogger Alencastro said...

Você tem toda razão, Tati. Mas agora não tem mais jeito: a obra está lá.

11:52 AM  
Blogger Alencastro said...

Oi Marco Antonio. Não disse que não é necessário que se investigue possíveis irregularidades na obra: tudo deve ser apurado. Contudo, tal como Brasília, depois de alguns anos ninguém se lembra da roubalheira na obra e da irregularidade na contratação dos arquitetos - no caso, de um brasileiro mesmo.

11:58 AM  
Blogger AM said...

ontem à noite estive a acabar de ler uma longa e famosa entrevista com o Philip Johnson
é a coisa mais amoral (imoral) e divertida deste mundo (e do outro) :)
para PJ só existe a beleza (pela beleza) e como vocês escreve por aí o "fato" estético
ética só atrapalha :)
uma frase que li relacionada com o Siza que diz qualquer coisa como: "há muita coisa que se perdoa em nome da beleza" :)

12:14 PM  
Blogger Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Alencastro, sei que você não é à favor da impunidade e da corrupção. Não disse o contrário. É que político, de modo geral, acha que se ele fizer "coisas boas", seus crimes serão perdoados. O que, em tese, ocorre.

É uma pena que brasileiro não tem memória e está habituado com falcatruas e tudo mais. E, infelizmente, Brasília é apenas um exemplo num oceano de...exemplos. Quem sabe um dia muda.

1:04 PM  
Anonymous VissottoJr said...

Começo achar que não é que esquecemos, mas é que há tanta "informação nova" que a mente se perde em meio a um turbilhão de corrupção. Mas esse assunto me deprime.

4:49 PM  

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