18 dezembro 2008

"Cidade de todas as músicas"

É hoje. Às 20h, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto Minczuk regerá o Hino Nacional. Depois, o concerto continua com um sinfonia inédita de Edino Krieger e, por fim, a IX de Beethoven. Desta forma, será aberta (ainda parcialmente) a Cidade da Música - primeira obra de Christian de Portzamparc no Brasil.

A coisa foi polêmica. Claro, São Paulo é um mundo a parte e nossa impressa pouco falou do projeto. Nem mesmo no meio arquitetônico houve interesse (para os desavisados, há um vídeo no You Tube que mostra a obra e Portzamparc que, apesar de institucional, dá para ter uma ideia do projeto; há também o resumo da ópera em artigo de Serapião na piauí deste mês - ainda não disponível na net).

Mas no Rio, de um modo geral, a "massa crítica ipanemense" não pode ouvir falar no projeto. Por que? Há uma salada mista que envolve bairrismo, política e escândalo de orçamento. "Por que na Barra?", se perguntam. "O César Maia?", continuam. "Quanto? 600 milhões de reais?", finalizam o diálogo.

Agora, fica uma pergunta no ar: será a arquitetura de Portzamparc a redentora de toda polêmica?

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29 abril 2008

Pérola

"Aos 54 anos, 32 de Brasil, Slemenson é o rei da arquitetura neoclássica de São Paulo. Seu escritório, contudo, tem chão de cimento, paredes de concreto aparente, linhas retas, estruturas metálicas, salas separadas por vidros, cadeiras de madeira e estantes de ferro cinza. Está mais para Paulo Mendes da Rocha do que para Parque Cidade Jardim".

Corram as bancas! Saiu a piauí n°20. Este é um trecho da hilária matéria Lindinhos e Privates que comenta o comportamento do mercado imobiliário de alto luxo em São Paulo. Mais uma pérola assinada pela talentosa (e gata) Daniela Pinheiro.

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24 janeiro 2008

Fantasia

Olha, prometo que não falo mais no Niemeyer nos próximos 100 dias. Mas essa é boa e passou despercebido. A revista Caros Amigos lançou um número extra sobre o aniversário do velho. Não, não precisa comprar: e só o mesmo blábláblá de sempre dos camaradas elogiando eles mesmos. Nenhuma novidade.

Contudo, no meio de tanto vazio, há uma entrevista do Ciro Pirondi, sem muita graça nem propósito, em que ele quase fala: 'eu sou fruto de uma costela dele...' Quase no fim da conversa, Sérgio de Souza (o editor) pergunta: "o Paulo Mendes da Rocha também convive bastante com ele?" E vem a resposta:

"Teve muitas passagens do Paulo com ele, o Paulo admira o Oscar, eu nunca ouvi o Paulo falar uma frase que não fosse de elogio para o Oscar." E o outro entrevistador, Thiago Domenici emenda: "mesmo assim estão insistindo nessa rixa entre os dois, né?". Ao que o Ciro responde: "é mentira isso que saiu nessa revista Piauí, eu estava junto no dia dessa reunião que o cara fala que foi aquilo, é mentira."

E o Sérgio de Souza: "quem foi?"

E o final: "Não sei, um cara ai, pra dar uma de bacana, disse que o Paulo brigou com o Oscar nesse dia do convite para a obra do Tiête, é mentira. Foi no Hotel Ca'Doro, em uma tarde de sábado, eu tenho escritório junto com o Paulo, o Paulo me chamou, nos fomos lá, o Oscar estava esperando, conversaram e o Paulo explicou que pra ele que não podia aceitar o convite porque na época era presidente do IAB, e o presidente do IAB não pode aceitar fazer um trabalho público, só por isso, e o Paulo ate indicou alguns nomes que ele achava que podiam desenvolver o projeto, e o Oscar entendeu, aceitou alguns pontos que o Paulo citou. Aquilo lá é tudo fantasia daquele cara. Outro dia o pessoal da Globo me chamou para falar, porque vão fazer o especial do Oscar. Ai começou, o cara no telefone pra mim, eles são todos arrogantes, um cara lá do Rio: 'Então, mas nos não queremos que você só fale as coisas boas, queremos que você faça uma critica...' Eu falei: Então é melhor você chamar outro. Porque acho assim, nos já não temos ninguém, o Brasil vive paupérrimo na questão cultural, artística, aí você mata o Oscar Niemeyer, já matou o Tom Jobim. Vai sobrar quem?...."

Será que é mentira? Pelo que eu li, a reunião foi na sexta à noite (na ocasião, Pirondi tinha cinco anos de formado). Pelo que me lembro também, ele não apareceu no especial da Globo. Bom, eu não assisti ao especial do SPTV...

Afinal, quem é o Pinóquio da história? O Serapião ou o Pirondi?

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20 setembro 2007

Arquitetura na piauí (2)

Como prometido desde o início, a revista piauí tem dado destaque - direto e indireto - as questões da arquitetura. Por aqui, acompanho desde o início. De fato, arquitetura apareceu com um pouco de atraso, no n°5 (fevereiro), mas valeu a espera. Depois, foram publicados diversos textos que não comentei. Vale fazer um breve retrospecto.

-No número 6 teve a história do roubo da escultura do Flávio de Carvalho realizada por alunos da FAU/USP e ECA, entre eles o Fernando Meirelles, escrita pelo Cadão Volpato (comentada aqui);


-No número 7, Daniela Pinheiro nos brindou com uma pérola que deu o que falar nos círculos da arquitetura corporativa de São Paulo. O texto é sobre as baladas paulistanas. E ai? Cadê arquitetura? O problema que o maior bocó retratado é filho de Sérgio Athiê, arquiteto do setor e não muito bem visto por aqueles que são contra a tal da 'reserva técnica'. Um trecho da matéria:

"Vip, como se sabe desde que balada era um tipo de canção dos Beatles, quer dizer very important people. A expressão designava pessoas muito importantes. Um rapaz paulista chamado André Athiê não tem importância na Lapa, em São Paulo, no Brasil, na Terra e na ordem geral do universo. Mas como, desde que a Pacha foi aberta, há cinco meses, ele esteve cerca de cinqüenta noites na casa, ele pertence a uma categoria especial. Athiê comemorava seu aniversário de 20 anos naquela sexta-feira. Por 4 mil reais, ele comprou dois camarotes, e ganhou outro de graça por ser um habitué. Seus 40 convidados não deveriam pegar filas nem pagar nada. Mas a malta dos anônimos gritões lhes atrapalhava o acesso";


- No número 9, Serapião escreve sobre a Fundação Iberê Camargo. Sobre Siza, ele escreveu:

"Em sua boca, há sempre um Marlboro aceso. Fuma três maços por dia, sem tragar. Sua estatura é baixa, seu semblante, triste. Tímido e reservado, pouco fala de sua vida particular. Quando o faz, a voz sai baixa e pausada. Sua reclusão aumentou depois que ficou viúvo, aos 40 anos, com um casal de filhos. Nunca mais se casou"


-No número 11, um texto de Maria da Paz Trefaut sobre o Delija, ou Alexandre Delijaicov - para os íntimos - o arquiteto que acreditou que a bicicleta é um meio de transporte. Leia um trecho:

"À primeira vista, Delija, como os alunos se referem a ele, é um homem calmo, de fala lenta e sincopada. Alto, magro, de cabelos pretos bem curtos, tem a fisionomia marcada por óculos retangulares, cuja armação marrom acompanha só a parte de cima das lentes. Quando ele começa a se agitar, o que será perceptível apenas mais tarde, os óculos se inclinam e perdem a simetria no rosto"


-Por fim, no número 12 (que está nas bancas), Serapião faz reportagem sobre a trágica construção do teatro do Mam/RJ, de Reidy, assunto de um antigo post. De dar vergonha do Iphan e do Mam. E ninguém fala nada.

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10 setembro 2007

"...mas desse detalhe eu não estou a par"

E a história da biblioteca de Brasília, heim? Depois de matéria na quinta-feira, rendeu até editorial na Folha de ontem (só disponível para assinantes). O texto de ontem, termina assim:

"Dada a subutilização, o edifício se prova um exemplo tipicamente brasileiro, que se repete em outras esferas públicas, de desperdício de recursos e erros de planejamento. Tais trapalhadas político-administrativas comprometeram um bom projeto, que terá de ser desfigurado para que possa atender aos cidadãos."

É interessante que esse tipo de assunto se torne mais frequente na imprensa em geral (vocês leram o texto na piauí de setembro sobre o absurdo que fizeram no teatro do Reidy?), mas chamar aquilo de bom projeto, não é exagero?

Sobre os problemas no projeto, veja o que diz o projetista: "Eu gosto muito da biblioteca, porque ela está defronte ao museu [da República] e combina bem. É uma biblioteca moderna, com tudo o que é preciso, mas desse detalhe eu não estou a par".

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30 março 2007

Eu?

Vocês leram a piauí de março? Tudo bem que a edição de abril chega as bancas no fim de semana - portanto, este é um comentário meio velho, admito. Mas, me justifico: eu estava esperando a foto acima entrar no site da revista - para não ter que escanear...

No artigo em questão, Cadão Volpato descreve o roubo da escultura de Flávio de Carvalho realizado por alunos da Fau e da Eca. Na imagem acima - um instantâneo da cena do crime - a revista identificou um único aluno da arquitetura, o Fernando Meirelles - o cineasta -, que coordenou a ação.

Mas o que eu queria saber, é se alguém reconhece mais alguém da Fau na foto do caminhão?

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02 fevereiro 2007

Arquitetura na piauí

Patuléia, o fim de semana está salvo! Acaba de sair a piauí n°5, cujo tema central é o dossiê arquitetura e urbanismo.

Na capa, uma foto de chineses admirando uma miniatura de Nova York. Dentro do dossiê, o longo texto de abertura - A megacidade - é sobre Lagos, cidade da Nigéria. Ele foi escrito por George Packer, repórter da revista The New Yorker. Depois, um artigo de Renato Lemos sobre o polopetroquímico de Itaboraí, no Rio. Em seguida vem o texto apimentado sobre as parcerias frustradas de Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, escrito por Fernando Serapião, da Projeto. Depois um texto sobre a privada, "o objeto que representa a civilização", de Vargas Llosa. Guilherme Wisnik, da Folha, escreve sobre a Daslu (fotografada pelo Nelson Kon!). E, por fim, fotos de algumas periferias do mundo - lógico, com a imagem da favela de Paraisópolis e o edifício com piscinas em todos os andares.

Além do dossiê, ainda tem um perfil de Lícia Fábio, texto de Ivan Lessa, quadrinhos do Laerte e um texto de Woody Allen, entre outras coisas.

Estão esperando o quê? Corram para as bancas!

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24 outubro 2006

Será que é o mesmo lugar?

"De onde dá para se ir, no Arpoador, aquele edifício pó de pedra, era o único que driblava o gabarito de quatro andares (isso, como tudo mais, nunca ficou claro), até a subida da Niemeyer, é uma jaula só. Pobres ricos, pobres elite, pobres classes dominantes: tudo vivendo atrás de grades, guardadas por nordestinos incompetentes com calsa azul-marinho e camisa branca puídas. Vizualizo as classes abastecidas, à noite, uivando em seu cativeiro. Os porteiros fingindo não ouvir, afiando suas peixeiras.

Teve o muro de Berlim, há a menos divulgada muralha erguida por Israel e a ainda invisível Barreira da Orla Marítima Carioca."

Esse é um fragmento do texto Eu conheço esse cara, de Ivan Lessa, na revista piauí, n°1, uma das melhores coisas do mais aguardado lançamento editorial do ano. O texto é um retrato preciso, tipo "olhar estrangeiro", só que mais cruel pois foi realizado por um ex-nativo, depois de 28 anos (seis meses e sete dias!) vivendo em Londres. Muito diferente da visão inglesa oba-oba, 'caipirinha mais liberdades sexuais', da Wallpaper (cuja capa de junho de 2006 ilustra o post).

A piauí, inspirada na The New Yorker, promete, para os próximos números, uma seção chamada Urbanismo e Arquitetura. No site, eles explicam que a seção tratará do " que ocorre de novo (de intrigante, de inteligente, de boçal, de curioso, de mistificador) nas paisagens das metrópoles brasileiras."

Na fonte inspiradora da piauí, o tema sempre foi tratado com qualidade. Lá, a seção chama-se The Sky Line, que já foi assinada por Lewis Munford, e hoje é de responsabilidade de Paul Goldberger, ex-crítico do NYT. Bom, mesmo que de raspão, o início com Lessa é muito bom. Enquanto eles não inauguram a seção, mais um trecho de Eu conheço esse cara:

"Mais uma vez, antes de me mandar, peço para ver os edifícios de nossa orla marítima. Quero guardar na retina e nos ouvidos o doudo vernáculo arquitetônico, por trás das grades, deblaterando em suas jaulas, falando em línguas. O preciso equivalente à menina do Exorcista, quando tomada pelo demônio Pazuzu. Edifícios que dão uma volta de 360° na cabeça, viram os olhos para dentro, ficam verdes, e vomitam na cara dos turistas."

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