27 janeiro 2009

Acepipes

Na New Yorker da semana que vem, terá um texto de Paul Goldberger sobre o Alice Tully Hall, desenhado pela dupla do Diller Scofidio. O novo prédio é uma ampliação do Lincoln Center, em Nova York.

Como aperitivo, a revista colocou no ar um pequeno vídeo, de dois minutos, com Goldberger visitando a obra. Se a moda pega, heim?

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11 setembro 2008

"Eu não uso meu trabalho para ter glória"

Esbarrando no tema '11 de setembro', a New Yorker da primeira semana de setembro - a chamada the style issue - trás, entre outras coisas, um perfil enorme de Santiago Calatrava, onde ele fala da estação que desenhou para o ground zero. Leiam um trecho, que ele descorre sobre as mudanças em seu projeto:

"'Eu acho isso um absurdo, mas não é meu trabalho educar as pessoas', ele me disse. Parte da grandeza do desenho foi perdida, mas, para ele, 'é como se você estivesse fazendo uma pintura. Você encontra partes inacabadas em algumas telas de Rembrandt".

De uma forma geral, o texto da jornalista Rebecca Mead é interessante (e deu trabalho): nas dez páginas da revista impressa (na internet são nove) ela conta a trajetória de Calatrava, o dia-a-dia do arquiteto, mostra a opinião dos clientes - que, de forma geral, o endeusam -, revela o processo criativo em aquarela, fala sobre inspirações etc etc. Ela foi a Milwaukke, conversou com Calatrava no escritório e na casa dele em Nova York, foi também Valência, Espanha, na casa e no escritório do artista. Outro trecho, também falando sobre a estação (que não é o principal assunto):

"'Eu não sou uma marca. Isto é uma marca', disse-me certa vez apontando para o seu relógio, um Patek Philippe. ( Era um modelo 'Calatrava', fabricado pela primeira vez em 1932. Calatrava possui três deles, todos presenteados pelos filhos)".

Apesar da boa vontade do texto, ele não foi capaz de mudar minha opinião sobre a arquitetura de necrotério que ele faz.

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30 maio 2007

Fuck quem?

Reportagem da The New Yorker conta que a nova moda novaiorquina é vestir a camiseta com a frase "Fuck Frank Gehry" (comprar aqui)

Se a moda pega por aqui, quais seriam as mais populares?

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24 outubro 2006

Será que é o mesmo lugar?

"De onde dá para se ir, no Arpoador, aquele edifício pó de pedra, era o único que driblava o gabarito de quatro andares (isso, como tudo mais, nunca ficou claro), até a subida da Niemeyer, é uma jaula só. Pobres ricos, pobres elite, pobres classes dominantes: tudo vivendo atrás de grades, guardadas por nordestinos incompetentes com calsa azul-marinho e camisa branca puídas. Vizualizo as classes abastecidas, à noite, uivando em seu cativeiro. Os porteiros fingindo não ouvir, afiando suas peixeiras.

Teve o muro de Berlim, há a menos divulgada muralha erguida por Israel e a ainda invisível Barreira da Orla Marítima Carioca."

Esse é um fragmento do texto Eu conheço esse cara, de Ivan Lessa, na revista piauí, n°1, uma das melhores coisas do mais aguardado lançamento editorial do ano. O texto é um retrato preciso, tipo "olhar estrangeiro", só que mais cruel pois foi realizado por um ex-nativo, depois de 28 anos (seis meses e sete dias!) vivendo em Londres. Muito diferente da visão inglesa oba-oba, 'caipirinha mais liberdades sexuais', da Wallpaper (cuja capa de junho de 2006 ilustra o post).

A piauí, inspirada na The New Yorker, promete, para os próximos números, uma seção chamada Urbanismo e Arquitetura. No site, eles explicam que a seção tratará do " que ocorre de novo (de intrigante, de inteligente, de boçal, de curioso, de mistificador) nas paisagens das metrópoles brasileiras."

Na fonte inspiradora da piauí, o tema sempre foi tratado com qualidade. Lá, a seção chama-se The Sky Line, que já foi assinada por Lewis Munford, e hoje é de responsabilidade de Paul Goldberger, ex-crítico do NYT. Bom, mesmo que de raspão, o início com Lessa é muito bom. Enquanto eles não inauguram a seção, mais um trecho de Eu conheço esse cara:

"Mais uma vez, antes de me mandar, peço para ver os edifícios de nossa orla marítima. Quero guardar na retina e nos ouvidos o doudo vernáculo arquitetônico, por trás das grades, deblaterando em suas jaulas, falando em línguas. O preciso equivalente à menina do Exorcista, quando tomada pelo demônio Pazuzu. Edifícios que dão uma volta de 360° na cabeça, viram os olhos para dentro, ficam verdes, e vomitam na cara dos turistas."

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