11 setembro 2008

"Eu não uso meu trabalho para ter glória"

Esbarrando no tema '11 de setembro', a New Yorker da primeira semana de setembro - a chamada the style issue - trás, entre outras coisas, um perfil enorme de Santiago Calatrava, onde ele fala da estação que desenhou para o ground zero. Leiam um trecho, que ele descorre sobre as mudanças em seu projeto:

"'Eu acho isso um absurdo, mas não é meu trabalho educar as pessoas', ele me disse. Parte da grandeza do desenho foi perdida, mas, para ele, 'é como se você estivesse fazendo uma pintura. Você encontra partes inacabadas em algumas telas de Rembrandt".

De uma forma geral, o texto da jornalista Rebecca Mead é interessante (e deu trabalho): nas dez páginas da revista impressa (na internet são nove) ela conta a trajetória de Calatrava, o dia-a-dia do arquiteto, mostra a opinião dos clientes - que, de forma geral, o endeusam -, revela o processo criativo em aquarela, fala sobre inspirações etc etc. Ela foi a Milwaukke, conversou com Calatrava no escritório e na casa dele em Nova York, foi também Valência, Espanha, na casa e no escritório do artista. Outro trecho, também falando sobre a estação (que não é o principal assunto):

"'Eu não sou uma marca. Isto é uma marca', disse-me certa vez apontando para o seu relógio, um Patek Philippe. ( Era um modelo 'Calatrava', fabricado pela primeira vez em 1932. Calatrava possui três deles, todos presenteados pelos filhos)".

Apesar da boa vontade do texto, ele não foi capaz de mudar minha opinião sobre a arquitetura de necrotério que ele faz.

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15 março 2007

"Avarento do caralho"

Foi com essa expressão que o prefeito de Bilbao Iñaki Azkuna se referiu a Santiago Calatrava. A afirmação foi dada a uma rádio local e registrada por vários jornais espanhóis (El Pais, Las Provincias, Diario Critico, entre outros).

O problema entre eles surgiu pois Calatrava está processando a municipalidade por ter modificado uma passarela que ele projetou - criada próximo para unir um complexo desenhado por Arata Isozaki com o Zuri buri. Ele pede, no mínimo, 250 mil euros por danos morais. Além disso, exige que projeto seja refeito, conforme o desenho. Parece que retiraram o guarda-corpo...

Se não for possível a volta ao desenho original, pede três milhões de euros! “Pode ser uma obra artística, mas sobretudo é feita para se passar sobre ela", afirmou o mandatário. Ao que parece, o problema está justamente na conexão com o desenho de Isozaki - que respondeu: "não consigo entender a atitude de Calatrava".

“Se em vez de escolher Isozaki para fazer o complexo tivéssemos dado a obra a Calatrava , não haveria nenhum problema. Se a passarelinha, em vez de fazer Isozaki, o fizesse Calatrava , também não existiria nenhum problema. No fundo é uma questão de dinheiro, porque estes são uns avarentos do caralho", disse o prefeito. Será?

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