04 outubro 2007

Mais um...

sA bruxa tá solta. Não bastasse o Salmona, agora chega a notícia que Herbert Muschamp morreu.

Muschamp sucedeu Paul Goldberger como crítico de arquitetura do NYT em 1992. Permaneceu no cargo 12 anos até Nicolai Ouroussoff substituí-lo. Atualmente, era colunista da revista T, também do NYT. Veio a São Paulo fazer uma reportagem sobre a casa de Isabella Prata, desenhada pelo Paulinho e tema de um post. E para quem assistiu o documentário de Sydney Pollack sobre Frank Gehry, lembra dos entusiasmados depoimentos do crítico. Morreu aos 59 anos, de câncer.

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24 outubro 2006

Será que é o mesmo lugar?

"De onde dá para se ir, no Arpoador, aquele edifício pó de pedra, era o único que driblava o gabarito de quatro andares (isso, como tudo mais, nunca ficou claro), até a subida da Niemeyer, é uma jaula só. Pobres ricos, pobres elite, pobres classes dominantes: tudo vivendo atrás de grades, guardadas por nordestinos incompetentes com calsa azul-marinho e camisa branca puídas. Vizualizo as classes abastecidas, à noite, uivando em seu cativeiro. Os porteiros fingindo não ouvir, afiando suas peixeiras.

Teve o muro de Berlim, há a menos divulgada muralha erguida por Israel e a ainda invisível Barreira da Orla Marítima Carioca."

Esse é um fragmento do texto Eu conheço esse cara, de Ivan Lessa, na revista piauí, n°1, uma das melhores coisas do mais aguardado lançamento editorial do ano. O texto é um retrato preciso, tipo "olhar estrangeiro", só que mais cruel pois foi realizado por um ex-nativo, depois de 28 anos (seis meses e sete dias!) vivendo em Londres. Muito diferente da visão inglesa oba-oba, 'caipirinha mais liberdades sexuais', da Wallpaper (cuja capa de junho de 2006 ilustra o post).

A piauí, inspirada na The New Yorker, promete, para os próximos números, uma seção chamada Urbanismo e Arquitetura. No site, eles explicam que a seção tratará do " que ocorre de novo (de intrigante, de inteligente, de boçal, de curioso, de mistificador) nas paisagens das metrópoles brasileiras."

Na fonte inspiradora da piauí, o tema sempre foi tratado com qualidade. Lá, a seção chama-se The Sky Line, que já foi assinada por Lewis Munford, e hoje é de responsabilidade de Paul Goldberger, ex-crítico do NYT. Bom, mesmo que de raspão, o início com Lessa é muito bom. Enquanto eles não inauguram a seção, mais um trecho de Eu conheço esse cara:

"Mais uma vez, antes de me mandar, peço para ver os edifícios de nossa orla marítima. Quero guardar na retina e nos ouvidos o doudo vernáculo arquitetônico, por trás das grades, deblaterando em suas jaulas, falando em línguas. O preciso equivalente à menina do Exorcista, quando tomada pelo demônio Pazuzu. Edifícios que dão uma volta de 360° na cabeça, viram os olhos para dentro, ficam verdes, e vomitam na cara dos turistas."

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