20 fevereiro 2008

O contemporâneo

Para quem interessar, Guilherme Wisnik ministrará um curso em abril/maio na Casa do Saber dos Jardins, em São Paulo. Não sei se o curso será interessante, mas o fato positivo é que a Casa do Saber abre espaço para o tema, que até agora foi pouco abordado.

Com o tema 'Arquitetura contemporânea', o curso terá quatro aulas e abordará Álvaro Siza e Tadao Ando: o moderno regionalismo (1ªaula); Herzog & de Meuron: plástica e minimalismo (2ªaula); Rem Koolhaas: a grande escala e a crise do projeto; e, por fim, Cidade pós-industrial: Las Vegas, Lagos e Dubai (4ªaula). Para quem quiser participar, o custo é de 360,00 reais.

Mas, e o Paulinho? Não é contemporâneo?

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07 janeiro 2008

Bad news

Nada de feliz ano novo etc e essas babaquices de sempre: o ano começa com duas péssimas notícias para o meio arquitetônico. A primeira é o veto ao CAU. Que vergonha, Lula! O que é isso D. Clara? Agora, é esperar para ver o que vai acontecer. Os otimistas acham que ainda dá jeito; os pessimistas, crêem que foi tudo para o vinagre...

A segunda notícia ruim do ano é, depois de quase dois anos de existência, o fim da coluna do Wisnik na Folha, anunciado hoje. O que aconteceu? Aquele espaçozinho embaixo da da Mônica Bérgamo foi extinto em pró do sucesso da moça. Os colunistas que lá davam expediente, foram remanejados. Quem caiu fora? Só o Wisnik - e o Marcos Augusto Gonçalves (que é editor da Ilustrada). O que é isso, Otavinho? Ô Marcos Augusto Gonçalves! Tudo bem que eu tinha cá minhas críticas pontuais quanto ao conteúdo da coluna, mas, ao menos, era um espaço fixo para o tema dentro de um grande jornal - coisa que o Estadão (seu concorrente direto) não tinha nem tem. Perdemos todos.
Protestem: mandem carta sobre o CAU para o Lula (https://sistema.planalto.gov.br/falepr/exec/index.cfm?acao=email.formulario&CFID=3603770&CFTOKEN=86533990) e liguem para a Clara Ant (61- 3411.1792); e reclamem também com o jornal (leitor@uol.com.br) e com o Mario Magalhães, o ombudsman da Folha (ombudsman@uol.com.br) .

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07 dezembro 2007

Moda e arquitetura

Com o natal chegando, permitam-me dar uma dica de presente para as admiradoras mais afoitas. Calma, calma: não é para o meu fan-club - of course - mas para o do Wisnik. Assim, minha dica serve também para o amigo secreto da Ilustrada, da CosacNaify e do Movimento Gal. Jardim Eu Te Amo.

Fujam do óbvio: nada de uma primeira edição do clássico do Mike Davis, de uma cadeira original da Branco & Preto ou uma lasca do caixão de Artigas. O rapaz está necessitando é de roupas! Mas, por favor, evitem as meias ou pijamas: o artigo em falta é a camisa! Pois pasmem, mas na entrevista em que ele apareceu falando de Niemeyer no Globonews (que foi ao ar no domingo à noite), na foto dos colaboradores da aU dedicada à Niemeyer (última página) e no lançamento do livro do Acayaba, o gajo estava vestindo a mesma camisa!

Pô Elaine! Dá uma ajuda para o rapaz!

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04 dezembro 2007

Quintalzinho

Depois dos rasgados elogios do Wisnik em seu artigo de ontem, na Folha (só para assinantes do jornal ou do UOL), resolvi olhar de perto a 7ª maravilha do mundo, o novo espaço cultural da rua Maria Antônia, o IAC. Mas, perguntar não ofende: quanto tempo aquilo vai ficar sem grade?

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04 outubro 2007

Pecados arquitetônicos? (2)

Em relação ao polêmico texto do Wisnik publicado em sua coluna na Folha no dia 24 de setembro - em que o autor comenta a obra de Biselli e Katchborian (assunto de um post), recebi uma carta que circula na internet. Quem me passou pede anonimato - mas posso garantir que é um leitor ilustre deste blog.

A carta foi escrita por Julio Vieira, arquiteto formado no Mackenzie em 1987 e que durante mais de 10 anos foi funcionário da Itauplan. Como profissional assalariado, entre outras coisas, ele desenhou aquela interessante agência do Itaú na Berrini, aquela outra em frente ao Pacaembú, e um edifício na Faria Lima. Hoje, Julinho tem escritório próprio e é professor no Mackenzie. Enviada a redação da Folha, a missiva não foi publicada. Para estimular o debate sobre o tema, publico-a aqui - sem autorização do autor, que, se desejar, tiro-a do ar. Ai vai:


"Carta aberta ao Sr. Guilherme Wisnik

Tendo lido seu texto publicado na Folha de São Paulo (24/09/2007) sobre o recém-lançado livro da dupla de arquitetos paulistas Biselli e Katchborian, em uma coleção intitulada “Arquiteto Contemporâneo Brasileiro” (Ed. Romano Guerra, 2007), com textos de Alessandro Castroviejo e Mario Figueroa, tive a curiosidade inicial de saber o que pensava o autor que, junto com Ana Vaz Milheiro e Ana Luiza Nobre, publicou recentemente (2006) o livro “Coletivo: Arquitetura Contemporânea Paulista”, sobre a produção de seis escritórios paulistanos, todos compostos por ex-alunos da FAUUSP.

Naquela ocasião, ninguém com quem tive a oportunidade de comentar o fato, duvidava da qualidade daquela produção, nem questionava o direito legítimo desses arquitetos de publicarem seus trabalhos, contribuindo assim para a discussão dessa produção contemporânea, ainda em curso. O que as pessoas questionavam, muito justificadamente, era a inadequação do título que, impreciso e generalizador, insinuava ser um recorte na produção contemporânea em São Paulo, quando na verdade sabemos que este não se expandiu além das cercanias da cidade universitária, no Butantã.

Diante deste quadro, não tinha muitas expectativas de um relato entusiasmado da sua parte, uma vez que não somente a produção de Biselli e Katchborian, mas uma vasta produção de boa arquitetura em São Paulo, havia sido ignorada naquela edição.

O que de fato surpreendeu foi a forma descuidada com que o Sr., autor de reconhecido valor, procurou estruturar sua crítica. Por meio de um texto excessivamente superficial e apressado, vago e aparentemente inacabado, o Sr. deixou rastros indisfarçáveis de preconceito e arrogância. Primeiro, ao aludir às declaradas referências projetuais de forma pejorativa e desrespeitosa. Depois, em uma decisão de deliberada má fé, ao eleger como gancho de sua argumentação a referência a Oscar Niemeyer, quando os arquitetos, na verdade, só sutilmente a invocam para justificar certos procedimentos de linguagem, como o texto de Castroviejo bem percebe:
“Nas obras mais recentes, insinua-se uma admiração por Oscar Niemeyer, embora nada em suas obras indique algo próximo de uma postura ou programa de arte que problematize a brasilidade, os regionalismos ou coisas afins.”
É preciso dizer algo mais?
Fica evidente o compromisso de Biselli e Katchborian – e a dupla deixa isso bem claro – com a discussão internacional, esta sim merecedora de maior destaque em qualquer crítica que se possa fazer dessa produção.

Outro ponto curioso em sua argumentação trata da suposta “ambição autoral” dos arquitetos, como se fosse possível e desejável a qualquer pessoa prescindir desse direito legítimo, mesmo quando o discurso possa apontar para uma inconvincente autoria coletiva – o que de fato não acontece de forma estrita nem mesmo com o grupo que consta de sua já referida publicação. Nunca é demais lembrar que Biselli e Katchborian têm em seu currículo a participação freqüente de uma variedade ampla de colaboradores, alguns bem conhecidos de nosso meio.

Me surpreendeu também a forma negativa com que o Sr. se referiu à discussão da pós-modernidade (que o Sr. chamou de moda) reivindicada pelos arquitetos em seus trabalhos inaugurais.
Não vejo necessidade de tentar explicar a importância que essa discussão teve para àqueles que, como eu, se formaram naquela época no Mackenzie, até porque o texto de Castroviejo expõe esse quadro com muita competência. O que causa perplexidade é constatar seu aparente desprezo pela matéria, sendo o Sr. um respeitável crítico de arquitetura contemporânea.

Outro caso flagrante de preconceito se nota ao sugerir o texto uma certa vocação do escritório para se destacar em meio à produção corrente de arquitetura corporativa, cujo valor o Sr. indisfarçavelmente questiona . Pior ainda quando chama de “mero estilismo” aquilo que qualquer arquiteto competente identificaria como valores de uma boa arquitetura. E ainda, num gesto ensaiado de complacência, alude para a destacada habilidade dos arquitetos no agenciamento das operações compositivas, mas adverte:
“Nem toda arquitetura solicita um enorme esforço de justificação teórica”.

Finalizando, o Sr. ensaia timidamente uma argumentação para justificar um problema constatado na transposição dos projetos (muito bem proporcionados e representados pelos desenhos e perspectivas eletrônicas) para as obras construídas, sugerindo uma redução de qualidade nesse processo, explicada em parte pela insuficiência de recursos de nossa tecnologia local. O que parece ser um falso argumento quando se olham com atenção as imagens e fotos que o livro nos expõe. Fotos que resistem a uma aproximação maior da câmera, coisa rara nas publicações mais recentes.

Enfim, o Sr. suprimiu informações fundamentais em sua crítica e deixou um grande vazio no lugar, esquecendo-se de falar, por exemplo, da rica espacialidade dos edifícios e da consistência das propostas plásticas. Da singularidade da investigação proposta por Biselli e Katchborian, sem amarras ideológicas e conceituais, e da grande sensualidade e prazer que advém dessa experiência, não competindo a nós saber de antemão a real contribuição que esta produção legará para a história.

Ou seja, faltou ser honesto. Honestidade que não faltou ao texto de Castroviejo e às inúmeras imagens e desenhos presentes no livro. O que facilita muito o meu trabalho aqui, pois o livro é muito bom e fala por si, sobretudo para aqueles arquitetos que, como eu, gostam de boa arquitetura e dispensam a mediação de qualquer crítico.
Agora, o que dizer a respeito do fato em si? O que o levou a ser tão parcial em suas avaliações?
Bem, talvez este seja um tema para se discutir em algum fórum específico. Tenho motivos para acreditar que a aderência seria ampla e deixo aqui a minha sugestão para um título apropriado:

“Da arquitetura corporativa e da corporativista”


Respeitosamente.
Arqto. Julio Vieira."

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24 setembro 2007

Pecados arquitetônicos?


Hoje o Wisnik deu um pau no Biselli em sua coluna semanal na Folha (disponível só para assinantes do jornal ou do UOL). O contexto do ataque foi o livro recém-publicado, com texto do Sandro. Leiam um trecho:

"...continuam essencialmente pós-modernos, agenciando "estilos" em operações compositivas. Tal agenciamento é, sem dúvida, habilidoso. O que faz com que sua obra se destaque do padrão médio, alçando-se muito acima, em termos de qualidade, da arquitetura corporativa que se faz hoje em São Paulo. Digo isso porque o porte dos projetos recentes do escritório os credencia a ocupar esse mercado.


Contudo, nota-se também uma clara ambição autoral em sua produção, sobretudo naquela de maior escala, afirmando-se através de uma gestualidade plástica invocada como um processo de "redescoberta formal de Oscar Niemeyer". Ora, mas o que significa "redescobrir" Niemeyer a essa altura do campeonato, como que pinçado num catálogo de referências? Os arquitetos, ao que parece, assumem com naturalidade os princípios compositivos como ferramenta principal de projeto, bem como o uso de determinados materiais como marca, assinatura. Fica, no entanto, a pergunta: o que os afastaria do mero estilismo? Nem toda arquitetura solicita um enorme esforço de justificação teórica. A maioria, aliás, não. É produção corrente, de maior ou menor qualidade"


Resumindo: o cara cria uma arquitetura de mercado, tem ambição autoral, mas no fundo é um estilista. É isso mesmo?

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02 fevereiro 2007

Arquitetura na piauí

Patuléia, o fim de semana está salvo! Acaba de sair a piauí n°5, cujo tema central é o dossiê arquitetura e urbanismo.

Na capa, uma foto de chineses admirando uma miniatura de Nova York. Dentro do dossiê, o longo texto de abertura - A megacidade - é sobre Lagos, cidade da Nigéria. Ele foi escrito por George Packer, repórter da revista The New Yorker. Depois, um artigo de Renato Lemos sobre o polopetroquímico de Itaboraí, no Rio. Em seguida vem o texto apimentado sobre as parcerias frustradas de Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha, escrito por Fernando Serapião, da Projeto. Depois um texto sobre a privada, "o objeto que representa a civilização", de Vargas Llosa. Guilherme Wisnik, da Folha, escreve sobre a Daslu (fotografada pelo Nelson Kon!). E, por fim, fotos de algumas periferias do mundo - lógico, com a imagem da favela de Paraisópolis e o edifício com piscinas em todos os andares.

Além do dossiê, ainda tem um perfil de Lícia Fábio, texto de Ivan Lessa, quadrinhos do Laerte e um texto de Woody Allen, entre outras coisas.

Estão esperando o quê? Corram para as bancas!

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06 novembro 2006

Lotação


Coletivo, em português, também significa 'veículo de transporte coletivo'. O Aurélio dá até um exemplo (tinha que ser o Drummond!):
"grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do coletivo, com uma bolsa preta de senhora"
Bom, hoje será lançado no Centro Universitário Maria Antônia (R. Maria Antônia, 294) o catálogo da exposição Coletivo, já comentado neste blog. Como (quase) tudo que é realizado pela CosacNaify, a publicação está bem editada.

O lançamento mereceu atenção dos dois principais cadernos culturais paulistas. No Caderno 2, em texto de Antônio Gonçalves Filho, o destaque é Artigas e Wisnik (colunista do concorrente); na Ilustrada (só para assinantes UOL ou Folha), a matéria é de capa - com texto de Mario Gioia-, com destaque para a foto com os integrantes do Una formando uma ridícula escadinha.

Bom, mas voltando ao Coletivo, certa vez Anatxu Zabalbeascoa, em texto no El País, comparou o star systems da arquitetura com um ônibus lotado: só sobe outro arquiteto se alguém descer. Será que é também este o significado do coletivo? E por aqui: quem vai descer e quem quer subir?


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01 novembro 2006

Hoje é dia de sofá!

Para quem perdeu a mostra de cinema, já está disponível em DVD o documentário sobre Frank Gehry, que foi o assunto da última coluna do Wisnik (só disponível para assinantes da Folha ou do UOL).

Na Amazon, o DVD está custando 19,87 dólares (mais frete e imposto).

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23 outubro 2006

Arquitetura partida

Definitivamente, e ao contrário do que pensa o editor do caderno, a coluna do Guilherme Wisnik na Folha não tem como foco principal a arquitetura.

E nem o próprio é responsável pelas pautas sobre o tema no jornal, como eu imaginava pois, depois que iniciou a coluna, fez uma entrevista com Mendes da Rocha e outra com Kate Nesbitt que organizou o livro Uma nova agenda para a arquitetura - Antologia teórica (1965-1995). Sem querer pergar no pé, de novo a pauta wisnikiana preferida: Mendes da Rocha e Cosac Naify! Por que será? Sei lá, pergunte a ele!

Bom, mas a prova que a arquitetura na Ilustrada é terra de ninguém é o jornal de hoje: a capa do caderno cultural é ocupada por uma matéria com Richard Burdett, curador da Bienal de Arquitetura de Veneza (aliás, entrevista na íntegra é melhor que o texto editado). Quem assina a reportagem é Raul Juste Lores. E o Wisnik? Não tem nada de inteligente a dizer sobre o tema? (a versão impressa é ilustrada com uma foto de São Paulo, cuja legenda "Torres da av. Paulista vistas a partir de terraço no Itaim Bibi" está errada. A imagem é a clássica visão do Edifício Itália/Copan em direção a Paulista).

Bom, a coluna dele de hoje é sobre Gordon Matta-Clark (1943-1978), artista, norte-americano, que "mais perto dialogou com a arquitetura", nas palavras do escriba. Tudo bem, o cara tá na bienal e possui um trabalho com alguma relação com a área (a obra que ilustra o post é dele), mas o colunista é craque em se esquivar do assunto. Aliás, até o nome da coluna dele já mudou: iniciada como Forma & Espaço, logo passou a ser uma "coluna do Wisnik".

É, todo mundo sonha em ser Paulo Francis. Mas a maioria vira Barbara Gancia!

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09 outubro 2006

Globalização da favela


Amanhã será lançado em São Paulo o livro Planeta Favela, Mike Davis. O autor, ex-caminhoneiro e marxista, já era conhecido do público brasileiro desde Cidade de Quartzo, livro sobre Los Angeles (também estão disponíveis em português, Ecologia do Medo e Holocaustos Coloniais).

A edição brasileira, editada pela Boitempo, traz também um texto de Erminia Maricato. O lançamento, que será acompanhado de debate entre Maricato, Francisco de Oliveira e Luis César de Queiroz Ribeiro, acontecerá na FAU/Maranhão (rua Maranhão, 88).

Se não fosse tão pessimista, Davis, que reedita a luta de classe através de sua espacialização - favelas versus condomínios fechados/parque temáticos -, teria todos os ingredientes para ser endeusado pela esquerda arquitetônica tupiniquim.

Em junho, por exemplo, o Vivercidades já havia destacado o livro e indicado um blog com uma entrevista com Davis. E hoje o livro foi hoje tema (mais uma vez!) da coluna de Wisnik na Folha (disponível só para assinantes do jornal ou do UOL). "Também em contraposição a Davis, poderíamos lembrar de Milton Santos, para quem as áreas pobres, dada a "lentidão" e a "opacidade" dos seus territórios, são os lugares da "redenção possível" no mundo contemporâneo", escreveu o articulista do jornal paulista.

Parece que os uspianos acreditam na redenção da favela...

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11 setembro 2006

Forma & Espaço


Nesta segunda-feira, a coluna de Guilherme Wisnik na Folha (inicialmente batizada de Forma & Espaço), completa 30 publicações.

Localizada em local nobre (no pé da página 2 da Ilustrada, embaixo da coluna de Mônica Bérgamo), a coluna é uma iniciativa louvável de Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno cultural da Folha de S. Paulo, que assumiu o posto no início do ano.

Não é a primeira vez que a Folha dá espaço para ele - na outra ocasião, há mais de dois anos atrás, não havia uma formatação e ele assinou meia dúzia de pequenos textos que tiveram vida curta - e que quase mataram o Ruy Ohtake (qualquer dia explico melhor...) .

Os pecados da primeira incursão foram, em parte, corrigidos na segunda. Se a linguagem hermética já não é (tão) presente, os temas ainda patinam. Existe uma diferença entre informar o leitor de um grande jornal acerca do universo da arquitetura e a opinião de um colunista. Pelo que percebo, Wisnik acerta quando faz um pouco de cada, ou seja, pega um tema em voga e aborda de forma original (fez isso no caso da especulação imobiliária em SP, no caso do Minhocão e do Aterro do Flamengo). Agora, quando dá uma de colunista, inventando uma pauta (como o Zico!!!!, por exemplo), apesar da coerência de seu pensamento uspiano, suas colunas não são interessantes.

Ora, o que tem o Zico a ver com a arquitetura? Não existem temas mais urgentes? Se a Folha de S. Paulo fosse um jornal com uma larga cobertura arquitetônica e a coluna de Wisnik fosse um complemento, tudo bem. O problema é que a cobertura arquitetônica do jornal é pífia, o que (praticamente) resume o espaço em questão ao único território para as discussões do tema. E aí é que está o problema.

Apesar da aparente multidiciplinaridade do autor - filho de intelectual, ele é letrista, tem mestrado em história social, escreve texto de arquitetura e ainda projeta - ele não consegue (acho que não quer!) se desprender do universo uspiano e de seu cotidiano - leia-se a Cosac Naify, seus colegas de faculdade e, sobretudo, Paulo Mendes da Rocha (a benção painho...). Existem outras manifestações arquitetônicas possíveis em desacordo com a lógica uspiana.

E ao não se desprender deste universo, ele peca - ai segundo o Manual da Folha - em não avisar ao leitor de seu envolvimento com os temas em questão. Na semana passada, por exemplo, Wisnik falava sobre a exposição dos arquitetos de sua geração no Centro Maria Antônia (veja o post Qual é a sua turma?). O artigo é um copy-past de outro texto escrito por ele, anteriormente, para o evento. É chato, não? E não foi a primeira, nem a segunda (e creio que nem a última), que ele fez isso.

Bom, mas ao fazer uma retrospectiva de a coluna do Wisnik, descontando o texto de abertura, cheguei ao seguinte histórico.

Em mais da metade, ou que equivale a mais ou menos 2/3, os temas são pertinentes: 8 são sobre lançamentos de livros (3 da Cosac Naify, que o autor possui ligação...); 5 sobre problemas urbanos do Rio e SP (3 Minhocão e 2 Aterro do Flamengo), 4 sobre atualidades (Pritzker, morte de Jane Jacobs, copa do mundo, exposição) e 2 sobre o mercado imobiliário paulistano.

Os outros 1/3 possuem temas incertos: 3 sobre outras artes (música - Chico Buarque -; artes plásticas -Nuno Ramos-; e teatro - BR3), 6 sobre assuntos diversos (Tietê, Zico!!!,Ur??, Marx, Google, bienal de artes, China).

Mas no final das contas, ao menos ao que se refere aos temas escolhidos, a coluna é positiva.

Para terminar (ufa!), vamos, finalmente, ao artigo de hoje (só para assinantes do UOL ou da Folha). É sobre um livro de Peter Zumthor (Pensar a arquitetura), lançado em português pela espanhola Gustavo Gili. Wisnik tece amplos elogios ao texto do autor-arquiteto. Para mim, os escritos de Zumthor mais parecem Paulo Coelho: bobinho, bobinho...É mais recomendável ficar com a obra.

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01 setembro 2006

Qual é a sua turma?

Abriu ontem, no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, a exposição Coletivo - arquitetura paulista contemporânea.

A mostra agrupa o trabalho de sete escritórios paulistanos, todos formados na FAU/USP entre meados de 1980 e 1990 - são eles, Andrade Morettin, Angelo Bucci, Álvaro Puntoni, MMBB, Núcleo de Arquitetura, Projeto Paulista e Una Arquitetos.

Segundo Guilherme Wisnik, eles são "ligados por um fio geracional" que "se define como grupo". E mais: possuem "afinidades que têm como termo comum, uma adesão afirmativa ao 'desenho' humanista defendido por Artigas como instrumento de atuação social do arquiteto."

Parece que querem ressuscitar antigos ideais. Será que vai dar certo?

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16 agosto 2006

engenheiros versus arquitetos













Na eterna briga entre as profissões, não faltam anedotas. Mas deixamos-nas para lá.

O fato é que dois livros recentes - Por que os edifícios ficam de pé, de Mario Salvadori (da Martins Fonte), e Arquitetura da Engenharia ou Engenharias da Arquitetura, de João Marcos Lopes, Marta Bogéa e Yopanan Rebello (da Pini/Mandarim) - parecem tratar do mesmo assunto, um tanto quanto desconhecido pelos arquitetos.

A obra do italiano Salvadori, professor da Columbia (NY), foi alvo da coluna do Guilherme Wisnik (só disponível para assinantes do UOL ou da Folha) desta semana na Ilustrada.

Para Wisnik, "o livro é um generoso guia para a compreensão do comportamento estrutural das edificações, noção que está na base das soluções formais". Segundo o colunista da Folha, o volume ancora-se nas "permanências históricas", no lugar de "um evolucionismo técnico". Depois de falar brevemente da evolução das cúpulas, o texto do periódico perde tempo em comentar aspectos formais do livro, falando das capas, de Artigas e Nelson Kon. Desnecessário.

Já o livro de Lopes, Marta e Yopanan (estes dois últimos conhecidos pela coluna sobre o tema, publicada revista na aU) será lançada no dia 25 de agosto, sexta-feira, às 19h, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, São Paulo).

Em tempos de exibicionismos formais, as mensagens destes engenheiros podem ser pertinentes para aqueles que desejam ser tectônicos.

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