11 setembro 2006

Forma & Espaço


Nesta segunda-feira, a coluna de Guilherme Wisnik na Folha (inicialmente batizada de Forma & Espaço), completa 30 publicações.

Localizada em local nobre (no pé da página 2 da Ilustrada, embaixo da coluna de Mônica Bérgamo), a coluna é uma iniciativa louvável de Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno cultural da Folha de S. Paulo, que assumiu o posto no início do ano.

Não é a primeira vez que a Folha dá espaço para ele - na outra ocasião, há mais de dois anos atrás, não havia uma formatação e ele assinou meia dúzia de pequenos textos que tiveram vida curta - e que quase mataram o Ruy Ohtake (qualquer dia explico melhor...) .

Os pecados da primeira incursão foram, em parte, corrigidos na segunda. Se a linguagem hermética já não é (tão) presente, os temas ainda patinam. Existe uma diferença entre informar o leitor de um grande jornal acerca do universo da arquitetura e a opinião de um colunista. Pelo que percebo, Wisnik acerta quando faz um pouco de cada, ou seja, pega um tema em voga e aborda de forma original (fez isso no caso da especulação imobiliária em SP, no caso do Minhocão e do Aterro do Flamengo). Agora, quando dá uma de colunista, inventando uma pauta (como o Zico!!!!, por exemplo), apesar da coerência de seu pensamento uspiano, suas colunas não são interessantes.

Ora, o que tem o Zico a ver com a arquitetura? Não existem temas mais urgentes? Se a Folha de S. Paulo fosse um jornal com uma larga cobertura arquitetônica e a coluna de Wisnik fosse um complemento, tudo bem. O problema é que a cobertura arquitetônica do jornal é pífia, o que (praticamente) resume o espaço em questão ao único território para as discussões do tema. E aí é que está o problema.

Apesar da aparente multidiciplinaridade do autor - filho de intelectual, ele é letrista, tem mestrado em história social, escreve texto de arquitetura e ainda projeta - ele não consegue (acho que não quer!) se desprender do universo uspiano e de seu cotidiano - leia-se a Cosac Naify, seus colegas de faculdade e, sobretudo, Paulo Mendes da Rocha (a benção painho...). Existem outras manifestações arquitetônicas possíveis em desacordo com a lógica uspiana.

E ao não se desprender deste universo, ele peca - ai segundo o Manual da Folha - em não avisar ao leitor de seu envolvimento com os temas em questão. Na semana passada, por exemplo, Wisnik falava sobre a exposição dos arquitetos de sua geração no Centro Maria Antônia (veja o post Qual é a sua turma?). O artigo é um copy-past de outro texto escrito por ele, anteriormente, para o evento. É chato, não? E não foi a primeira, nem a segunda (e creio que nem a última), que ele fez isso.

Bom, mas ao fazer uma retrospectiva de a coluna do Wisnik, descontando o texto de abertura, cheguei ao seguinte histórico.

Em mais da metade, ou que equivale a mais ou menos 2/3, os temas são pertinentes: 8 são sobre lançamentos de livros (3 da Cosac Naify, que o autor possui ligação...); 5 sobre problemas urbanos do Rio e SP (3 Minhocão e 2 Aterro do Flamengo), 4 sobre atualidades (Pritzker, morte de Jane Jacobs, copa do mundo, exposição) e 2 sobre o mercado imobiliário paulistano.

Os outros 1/3 possuem temas incertos: 3 sobre outras artes (música - Chico Buarque -; artes plásticas -Nuno Ramos-; e teatro - BR3), 6 sobre assuntos diversos (Tietê, Zico!!!,Ur??, Marx, Google, bienal de artes, China).

Mas no final das contas, ao menos ao que se refere aos temas escolhidos, a coluna é positiva.

Para terminar (ufa!), vamos, finalmente, ao artigo de hoje (só para assinantes do UOL ou da Folha). É sobre um livro de Peter Zumthor (Pensar a arquitetura), lançado em português pela espanhola Gustavo Gili. Wisnik tece amplos elogios ao texto do autor-arquiteto. Para mim, os escritos de Zumthor mais parecem Paulo Coelho: bobinho, bobinho...É mais recomendável ficar com a obra.

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2 Comments:

Blogger : : : m a v e r i c k : : : said...

pois é colega...críticos tbem recebem críticas...
ele já leu seu blog!
cuidado, o próximo tema pode ser vc...rs

6:51 PM  
Blogger Alencastro said...

Cara, ótima idéia; serei eternamente grato! No dia que eu não tiver assunto, vou falar sobre um tal de Alencastro! Genial!

7:09 PM  

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