21 fevereiro 2007

Canudos é aqui

Que o Zé Celso gosta de bagunçar o coreto, todo mundo sabe. Mas o caso do Teatro Oficina versus Grupo SS é hilário. A história é a seguinte: o grupo do chefe do Lombardi possui lotes vizinhos ao teatro gerido pela viúva e pretende nele construir um centro de entretenimento. Depois de muitas idas e vindas, com o intermédio de Eduardo Suplicy, marcou-se um encontro entre os dois, frente à frente, em abril de 2004. O histórico encontro foi registrado pela Folha, que havia publicado dias antes uma carta aberta de Contardo Calligaris ao empresário, colocando o problema do Oficina.

Ele conseguiu modificar o desenho do espaço do Grupo SS - que passou das mãos de Júlio Neves para o Brasil Arquitetura (que foi descrito por Calligaris quase um ano depois). O projeto do Brasil Arquitetura é um shopping center - mas que mais parece as galerias do centro da cidade - que tem como ponto focal um grande teatro (que seria cedido a ele algumas vezes no ano). Além disso, os arquitetos propuseram a ocupação dos baixos da ligação leste-oeste, em frente ao teatro, com espaços de uso público. Agora, o Zé não gostou: quer que tudo seja transformado em teatro, como imaginou o Paulinho em seu antigo projeto.

Para tentar melar tudo, ele entrou com pedido de tombamento do teatro de Lina no Iphan; o núcleo de São Paulo negou, mas o do Rio aceitou! Se tombado for, a aprovação do complexo seria dificultada. Leia só um trecho da entrevista com o Zé Celso, no âmbito de sua visita a um prédio ocupado por sem-tetos, publicada ontem no Vermelho (site do Partido Comunista do Brasil):

"Que mais há de relação entre a Prestes Maia e o Teatro Oficina?
A relação é total. Os dois prédios estão ameaçados pelo poder instituído, seja o público ou o privado, e a ocupação dos sem-teto tem muito a ver com Canudos. O próprio Aziz Ab’Saber fez uma conferência na Prestes Maia e estabeleceu esta relação com Canudos, com os povos massacrados. Na terça-feira (20), possivelmente às 20h, vou levar os atores do Teatro Oficina para ocupação Prestes Maia, e vou vestido de Antônio Conselheiro, com uma batina e tudo.


Você vai tentar falar com o prefeito Gilberto Kassab (PFL-SP)?
Vou sim, mas acho que ele não vai me receber. Temos uma entrevista marcada sobre o Teatro Oficina, eu quero que ele realize o projeto Paulo Mendes da Rocha para o Minhocão e que ele apóie a revisão do tombamento do entorno do Teatro Oficina pelo Conselho de Proteção ao Patrimônio Histórico (Concresp). Eu confio que este prefeito, que outro dia se desculpou por haver ofendido uma pessoa [de vagabundo], pode ser um prefeito legal. Ele fez alguma coisa boa para a cidade, contrariou os interesses da classe média-alta ao propor uma lei que proíbe os outdoors, então não podemos ter só uma visão das coisas, ir contra ele sem pensar. Mas Kassab precisa conhecer a ocupação Prestes Maia, ele não pode fazer como foi feito Canudos, uma cidade que foi massacrada sem que os homens públicos soubessem o que havia por lá. Eu fui até a ocupação Prestes Maia, é maravilhoso, é sui generis. Esse povo de classe alta, os empresários e políticos, eles vivem fechados em ar condicionados, vivem em suas salas, eles não conhecem as coisas que estão destruindo."

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5 Comments:

Anonymous Alberto said...

o MST particular desse cara aí não fica dnvendo nada pro estatal que a gente financia a forceps. Atrapalha e não pouco. E claro, como sempre, não estão atrás de terra, que eles já tem. Estão atrás de bagunça. Esse país é um manicômio.

7:34 PM  
Blogger Alencastro said...

É Alberto, deve ser bom ser genial e passar a vida inteira esperneando, esperneando...com dinheiro da viúva!

11:24 AM  
Anonymous Anônimo said...

(anônimo 1°)

os dois aí estão muito preocupados com a sobrevivência...
tais como duros trabalhadores impolutos.
pra cima de muá?! architectus??
eu heim!

são muito outros, os que podem, nessa terra, reclamar as coisas nestes termos.

mas eu sei. é só questão de estilo. de estilo.
sobre isto, qual é o justo?

p.s.
não sou da turma do zé celso.
tô mais pra estédile.
kkkk

1:06 PM  
Anonymous Anônimo said...

desculpa ae!

é stédile...
acho.

3:51 PM  
Anonymous Alberto said...

Pode parar. Arquiteto sim, trabalhador honesto, e contribuinte a forceps desse terrorismo de estado. Porque não? Se você acha que explora alguém, speak for yourself, e vá fazer terapia. NÃO é questão de estilo, é de valores;e, não, NÃO existe ninguém que pode reivindicar para si, a base da força, o que o outro conquistou com o proprio trabalho. Isso é um valor, isso é um conceito. Sua linguagem obtusa deve impressionar algum sub-letrado estudantil, mas pra quem já é adulto apenas cansa.

11:59 AM  

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