14 janeiro 2008

Crítica da crítica

Por acaso - no intervalo entre uma caipirinha e outra - vocês leram a aU de janeiro (n°166, ainda não está na net)? A edição está razoável (FDE do Núcleo Arquitetura, casa de Carla Juaçaba, balanço da bienal, NYT de Piano etc). Mas o que me chamou a atenção foi a entrevista com o crítico espanhol Josep Maria Montaner.

Na entrevista - que tem como gancho o lançamento em português de Arquitetura e Crítica (GG) -, o homem que deu o Pritzker ao Paulinho responde por que não incluiu críticos brasileiros na edição (que são só citados). Curiosamente, comenta a falta de ambição dos críticos locais, todos seus amigos: "Comas, que é brasileiro e muito bom, só faz ensaios para revistas especializadas ou orienta teses; Ruth Verde Zein faz ensaios muito inteligentes, mas não se arrisca a fazer uma história mais universal. Hugo Segawa a faz e a faz bem descritiva, mas possivelmente não tem a força que deveria. Mahfuz é muito bom, mas é bom fazendo artigos, ensaios".

Mais adiante, conclui: "a relação que se estabelece com os artistas é muito emotiva, afetiva e pouco racional. Há uma certa dificuldade de analisá-los globalmente. Talvez porque os mesmos críticos sejam cautelosos e digam: não me atrevo a colocar ordem em algo tão complexo. Há algumas tentativas. Hugo Segawa tem uma história aceitável, mas que não chega a ambição que deveria ter. A única que existe é de Yves Bruand, um francês, ou seja, é feita fora. Por alguma razão idiossincrática, ou de cunho cultural, os que poderia fazê-la - porque Ruth Verde Zein, Mahfuz, Comas são de uma inteligência extrema - não a fazem"

Bingo.

Marcadores: , , , , , , , ,

29 novembro 2006

De volta ao útero

Será que dá para viver dentro de uma 'casa-bola'? Bom, quem quiser ter esta experiência única(e tiver condições financeiras para tal), é só alugar uma das casas que Eduardo Longo criou em São Paulo.

Longo é figura ímpar da arquitetura brasileira: seus primeiros trabalhos (do final dos anos de 1960 e início de 1970), na praia de Pernambuco, Guarujá, chamaram a atenção de Pietro Maria Bardi e Yves Bruand, merecendo também dois números especiais da revista Acrópole.

Depois da fase inicial, ele ainda teve condições de fazer alguns experimentos mais radicais, entre os quais, duas 'casas-bola': a primeira foi construída para uso próprio sobre sua residência, na rua Amauri (pré-badalação); a segunda, mais bem construída, era destinada aos pais do arquiteto e fica em uma encosta do Morumbi, perto do Jóquei. A casa - que já foi publicada diversas vezes, como, por exemplo, na Wallpaper - tem duas suítes.

E é justamente esta segunda morada que pode ser alugada (pela Axpe, uma imobiliária que só trabalha com imóveis especiais). Se interessou? Basta ter 6200,00 reais por mês...

Marcadores: , , , , ,