27 setembro 2007

Livros, livros...

Outro dia, em uma livraria carioca, me deparei com um volume novo e luxuoso, sobre a obra de Eduardo Ribeiro Rocha - ops, quero dizer Edo Rocha (não sei se alguém já viu em São Paulo). Ao que parece, será lançado oficialmente em novembro na Bienal. Grande formato, capa dura, edição caprichada, textos de apresentação de peso (Eduardo de Almeida e Pedro Paulo de Melo Saraiva), enfim, tudo de bom. Ou, quase tudo. O problema é o conteúdo: um belo portfólio!

Nada contra aquitetura corporativa, mas vale um livro tão bem-feito? Para quem interessa, é claro, além da enorme vaidade do autor? Dentro, poucas surpresas. Uma delas é a imagem da proposta para o esqueleto da Eletropaulo (parece que o Arquitectonica tomou conta de tudo e o projeto de Edo foi para a gaveta...). A outra surpresa? A casa do Wesley Duke Lee em Campos do Jordão: quem diria que era do Edo?

Mas o livro do Edo (editado pela Bei) é só o trampolim deste post: o foco é o mercado editorial em si. Depois do boom dos anos 90, quando quase todos os arquitetos históricos foram brindados (ou pagaram) com luxuosos volumes, ultimamente a coisa desandou: é cada livrinho sem importância que se faz por aqui! E olha que faltam ainda algumas lacunas a serem fechadas. Quem arrisca dizer qual é a maior? Chega de livros do Niemeyer! Editores: cadê o livro do Carlos Millan? E do Salvador Cândia? Ô Márcio: cadê o livro dos irmãos Roberto, heim? E tem mais: o Borsoi, o Luiz Amorim, o Croce Aflalo & Gasperini, o Pedro Paulo de Melo Saraiva, o Eduardo Longo... E o Sérgio Bernardes, heim Thiago? E o Heep, heim Marcelo?
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Acompanhando a inutilidade de algumas publicações recentes, em breve teremos um volume com os melhores posts do Alencastro!

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19 setembro 2007

Sem emoção

Daqui a pouco teremos uma palestra de Ricardo Legorreta na Faap, em São Paulo. Ontem ele esteve no Rio, lançando um livro na Bienal. Niemeyer, que também está ganhando um livro da mesma editora, não foi. Mandou uma carta, lida pelo neto Caique.

O livro não é usual: parece dois livros paralelos com uma sobrecapa que protege tudo. O texto, feito através de diversas entrevistas com o autor, é didático. Sua presença no Brasil despertou grande repercussão midiática, com direito, entre outras coisas, a quatro páginas na Veja (em matéria escrita por Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente do conselho editorial da Abril) e matéria no Jornal da Globo de ontem. Na Veja, ele disse: "Arquitetura sem emoção não é arquitetura".


Mas a verdade é que, depois de tantos anos e de Barragán, sua arquitetura - samba de uma nota só - não emociona mais. Principalmente, quando ganha escala. Nas casas, ainda funciona. Mas nas obras de porte, na busca por formas puras, mais parece um Pei de barro colorido...

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