06 outubro 2008

O livro do ano

Na quarta-feira da semana que vem - dia 15 - será lançado em Porto Alegre o livro oficial sobre o prédio do Siza em Porto Alegre. Com texto de Kenneth Frampton, Jorge Figueira, Segre, Flávio Kiefer (organizador) e José Luiz Canal (o engenheiro da obra), a publicação foi editada pela CosacNaify. Na ocasião, haverá uma mesa redonda com os autores - menos Frampton, off course -, com direito a Siza em vídeo conferência...

Quem viu o livro, garante: está um primor. Com capa dura e inteiramente em tons sépia, o volume é completo, desde as análises arquitetônicas até a documentação da construção. Mesmo neutralizando a vivacidade da obra de Iberê Camargo, as fotos sem cor dão outra dimensão ao prédio - esqueçam tudo que vocês já viram nas revistas de plantão que deram matéria de capa (aU, Projeto, Architectural Review...). As fotos? São, entre outros, do espanhol Duccio Malagamba e dos brasileiros Nelson Kon e Leonardo Finotti. Os desenhos também estão muito interessantes, com grandes cortes que tomam quatro páginas, com dobradura.

Na quinta - dia 16 -, um dia após a noite de autógrafos em Porto Alegre, acontecerá a abertura da exposição Álvaro Siza -Modern redux, no Instituto Tomie Ohtake, organizado por Figueira, que fica em cartaz até 23 de novembro. Por fim, na sexta, dia 17, finalmente será a vez de São Paulo conhecer o volume: ele será lançado, sem parte dos autores, juntamente com um debate, no mesmo Tomie Ohtake.

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18 setembro 2008

Mistério...

Um grande mistério ronda o mundo editorial arquitetônico: está pronto, há mais de um ano, um livro que o Instituto Tomie Ohtake fez sobre Niemeyer. O livro chama-se Oscar Niemeyer: 100 anos, 100 obras pois tem como linha mestra as supostas 100 obras mais importantes do velho. Quanto aos verbetes, Ricardo Ohtake encomendou-os ao Segre.

Mas, o que aconteceu? Por que o livro, que ficou pronto em dezembro, ainda não foi lançado? Será que Niemeyer não gostou do resultado? Será que estão esperando o velho morrer? Ou será então que houve uma saia justa entre a família Ohtake e Niemeyer?
O que eu sei é que se passarem mais três meses e não lançarem o livro, terão que mudar o subtítulo para 101 anos, 100 obras...

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17 abril 2008

É nóis




O retoque da capa acima - com a foto original lá no alto - é outra história, contada em detalhes pela Franka (resumindo, para arrumar a luz estourada, o diagramador, com Photoshop porco, deixou o piso de madeira torto...).

Mas o assunto aqui é outro: eu, lógico! Não sei se todos leram o comentário da Annima, mas saiu uma citação ao Blog do Alencastro na aU 169 - acho que eles não aguentaram a pressão, pois há poucas semanas eu cobrei que a mídia nos ignorava... Está lá na página 16, na seção Fatos e Opinião (aquela que faz uma pergunta para 3 ou 4 pessoas e publica as respostas junto com o retrato do RG dos fulanos). Na carona da polêmica do que disse o Montaner na própria aU, a questão colocada pela editora era: "O que é crítica de arquitetura?"

Para responder a acalorada incógnita, perguntaram a alguns iluminados de plantão: Roberto Segre, Ruth Verde Zein, Carlos E. D. Comas, Edson Mafhuz e Alberto Xavier. Na resposta da Ruth ela recusa-se a responder. Para ela, o que a revista espera de sua resposta "é a leviandade das opiniões apressadas mas espertinhas". Por falta de espaço, resolve não definir a tal crítica. E diz ainda que fora da academia, o ar está poluído. Cofi, cofi, cofi!!! Para Mahfuz, a crítica é aquilo que esclarece e tem de ser feita por quem entende, "idealmente, um arquiteto". E afirma que o que se faz agora é superficial.

Já Comas diz que crítica é avaliação, seja ela qual for, mas a que interessa é a que é "fundamentada". E diz que ela existe no Brasil sim, obrigado. Mas não esclarece aonde nem quem é que faz (ficou com vontade de dizer "hei, olhem para baixo, eu estou aqui..."). Xavier, o mais sensato e realista, afirma que ela é um "elemento norteador, capaz de discernir valores, gerar debate, avaliar significados e indicar caminhos". Diz ainda que "carecemos de uma tradição crítica" e clama pela presença dela em mídias gerais. Afirma que restam as revistas da área e que, mesmo assim, o enfoque delas não é crítico. Eureka. E conclui que a nossa relação entre crítico e criticado é provinciana, que gera "ressentimentos e até inimizades. Daí a cautela e, às vezes, o próprio silêncio".

Contudo, na página de abertura da matéria, com maior texto, há o depoimento do Segre - naturalmente, o meu preferido. Primeiro pois ele é o único a polemizar com Montaner - os outros, fogem do assunto. Segundo Segre, a crítica deveria estar nos jornais para uma discussão ampla com a sociedade. Por isso, acha que o espanhol errou ao dizer que aqui não existe crítica pois não há avaliações de fôlego nos livros e nossos iluminados só fazem "ensaios". Depois, pois ele dá nome aos bois: começa a citar uma série de aventureiros esquecidos por Montaner - entre eles, esse pobre coitado blogueiro. Vamos as palavras do nosso novo oráculo: "no Brasil Montaner reitera a importância dos críticos tradicionais, mas não compreende que é maior a transcendência de jovens como Otávio Leonídio quando escreve na revista Mais!, ou Fernando Serapião, com suas inéditas revelações publicadas na revista Piauí; além da fina crítica do Blog do Alencastro." Como diria o Francis, waall!!!

Não saciado, Segre vai além: "são eles que formam a opinião na cultura social arquitetônica e não os livros especializados". Waall!!!

Gostaria até de ter estatura para rebater o Segre, e dizer que "não, eu não sou o cara, que eu não sou tão importante assim", mas fazer o quê? O sujeito é uma sumidade: já viram o currículo dele? Doutor Honoris Causa aqui, Doutor Honoris Causa lá... Eu, heim. Deixa para lá: não vou engrossar essa polêmica com um monstro sagrado destes...

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10 novembro 2006

Um no cravo e outro na ferradura

Vejam só o que me mandou um ilustre leitor deste blog (sim, além dos anônimos, existem os ilustres, que me mandam mensagens pelo e-mail!). É uma reportagem sobre Niemeyer, escrita por Sue Chester, e publicada na revista inglesa Telegraph. Separei o melhor trecho, que é um depoimento de Roberto Segre sobre o MAC de Niterói, de Niemeyer. Leiam:

"A área principal de exibição é circundada por janelas, tornando muito difícil apresentar pinturas pois a luz do sol causa efeito ofuscante. O espaço do segundo andar é muito escuro para exposições e a vista é interrompida pelas enormes vigas, necessárias para dar a leveza ao edifício, com imagem de flor. Não há também espaço necessário para acomodar a exposição permanente, razão pela qual o edifício foi construído. Mas nada disto é importante comparado com a maneira como esta incônica escultura de Niemeyer se projeta sobre a baia da Guanabara"
Eu sempre achei o prédio maravilhoso, o que está errado é o uso: deveria ser um restaurante-panorâmico! Bem luxuoso, para concorrer com o Cipriani. Tudo bem, talvez não existam clientes em Niterói, mas a cobertura poderia ser um heliponto. Já pensaram? Não ficaria tudo resolvido?

E por falar em Segre, ele escreveu um artigo sobre as escolas do FDE na Projeto de novembro (n°321), que chegou as minhas mãos esta semana. Depois de fazer um grande histórico sobre a tipologia escolar e comentar as escolas publicadas, ele conclui: "Temos certeza que aqui foi soterrado definitivamente o brutalismo caboclo paulista."

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02 outubro 2006

Política e arquitetura

Roberto Segre ataca de novo: o suplemento Babélia, do El País de sábado, publicou um texto dele relacionando política e arquitetura.

No trecho mais instigante do artigo, Segre relata:

"De allí que a pesar de la avalancha de denuncias de corrupción sobre los políticos del Partido de los Trabajadores, el presidente Lula sigue firme en la carrera electoral y en su casi segura reelección. Ello se justifica en el apoyo de la población de escasos recursos -y de los intelectuales, entre los que se cuentan los dos arquitectos ganadores del Premio Pritzker, Óscar Niemeyer y Paulo Mendes da Rocha-, identificados con la figura de un mandatario de extracción obrera"

No curto texto, ele cita ainda políticos (Getúlio Vargas, Fernando Collor, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Roberto Silveira, Leonel Brizola, César Maia, Aécio Neves, José Serra, Marta Suplicy e Mario Covas), arquitetos (Lucio Costa, Jean Nouvel, Christian de Portzamparc, Igor Vetyemy, Ciro Pirondi, Mario Biselli, Brasil Arquitectura, Decio Tozzi, Rafael Perrone, Nelson Dupré, Pedro Paulo de Melo Saraiva, Barbosa e Corbucci, Ruy Ohtake e Héctor Vigliecca) e políticos-arquitetos (Jaime Lerner e Luiz Paulo Conde).

Sobram também farpas para a festa esportiva do próximo ano: "resultan lamentables los diseños de las obras de los Juegos Panamericanos de 2007".

Enquanto isso, nossos jornais nem se atinam para o tema...

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29 setembro 2006

O que é isso, companheiro?

Os verbetes relacionados a arquitetura da recém-lançada Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe, um calhamaço de quase 1500 páginas (e que custa 190,00 reais!) e já conhecido como "Enciclopédia de Esquerda", foram realizados por Roberto Segre - um entre os 123 autores.

Editada pela Boitempo, o volume foi organizado por Emir Sader. Segre foi generoso com o pais que lhe adotou: o Brasil é o que mais verbetes nesta área possui, com três arquitetos (Niemeyer, Lucio Costa e Artigas) e Brasília. Em seguida, vem a Argentina (Claudio Caveri e Clorindo Testa) e a Venezuela (Vilanueva e Fruto Vivas), com dois verbetes cada.

Por fim, o Chile (Fernando Castillo Velasco), o Uruguai (Eladio Dieste), o México (Carlos González Lobo), Cuba (Fernando Salina) e a Colômbia (Rogelio Salmona) que estão na lanterna da 'arquitetura de esquerda' da América Latina, com uma entrada cada.

No entanto, do Lélé, ninguém viu nem sinal. Entre as opções uspianas, só o Artigas. Nem Sérgio Ferro, nem Paulo Mendes da Rocha.

Durmam com essa: é a parte que te cabe deste latifúndio.

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