21 novembro 2006

O que será que o diabo veste?


Lendo a coluna do Jorge Coli, no caderno +Mais!, da Folha de S. Paulo, não pude deixar de relacionar este trecho, em que ele escreve sobre a bienal, com alguma arquitetura que existe por ai. Vejam só:

"Bate, com insistência, na tecla do politicamente correto. Protege-se com a retaguarda dos bons sentimentos, contra os quais não se pode levantar nem um dedo mindinho: ódio à repressão, à segregação, às opressões cruéis, às tiranias. O problema é que o inferno das artes está atapetado de bons sentimentos. Há, nesta bienal, como sempre, talvez menos do que sempre, aqui e ali, algum artista interessante. É claro que isso não basta. O álibi das intenções éticas e intelectuais não consegue substituir o interesse da criação. Ora, as metáforas grossas e rasteiras se sucedem, evidentes, enormes, em obras feitas para apanhar, nas suas armadilhas, o intelectual incauto e bem-intencionado. Nem um pingo de reflexão, em um pingo de sutileza nessa seqüência. Ao contrário, um martelar autoritário do bom pensar e do bem pensante."

Não sei por que eu fiz esta relação. Juro que não sei.

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19 outubro 2006

Via de mão única


Você acha que a arquitetura em São Paulo se relaciona de algum modo com as indiossicrasias das pessoas?
Sim. A arquitetura é totalmente a produção da sociadade.

A arquitetura está presente na 27ª Bienal de São Paulo - cujo tema é Como viver junto - não é só na resposta de Yoshiharu Tsukamoto e Momoyo Kaijima presente em uma das mini-entrevista do catálogo-guia. Os dois artistas japoneses compõe o Atelier Bow-Wow e são os autores da obra, não presente na bienal, ilustra o post.

Dezenas de outros trabalhos, como, por exemplo, o de Bregtje van der Haak, de Brendon Wilkinson ou de Dan Grahan, também estão relacionados ao tema. Pena que a relação entre as artes plásticas e a arquitetura tornou-se uma via de mão única: só os artistas é que se inspiram na arquitetura; na mão oposta, a pista está vazia.

Portanto, para os que gostam do tema, a visita a mostra é (quase) obrigatória.

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