Fineza

A aU foi cobrir a Bienal de Buenos Aires e resolveu fazer um blog com os bastidores da cobertura. Certamente, a idéia é positiva pois dá agilidade e aproxima o leitor da revista. Mas também expõe demais algumas coisas. Um exemplo? Pela própria dinâmica, um blog pede postagens com ritmo diário. Ás vezes, não há o que dizer. Mas para a redação, torna-se uma obrigação. E entre as coisas que nunca seriam publicada na revista, há uma pérola como a entrevista com o Paulinho. Leia e vejam se é possível:
"Após a conferência de nosso Pritzker, me acerquei com toda calma, educação e profissionalismo (sem exageros) e lhe pedi uma entrevista rápida. “Claro”, me respondeu. Enquanto subíamos as escadas do auditório, aproveitei para começar as perguntas, um começo leve – sobre a Bienal, as conferências – e já escuto um levantar de voz. Mudei de assunto “talvez o que ele queira é falar sobre crítica”, pensei, inocente, e tentei discutir mais o fazer arquitetura. “Aqui não é lugar para isso”.
Aqui, a entrevista:
aU – É a primeira vez que o senhor vem à Bienal de Buenos Aires?
Paulo Mendes da Rocha – Eu estou sempre em Buenos Aires.
aU – Na Bienal...
Mendes da Rocha – É a primeira vez.
aU – Chegou a ver outras conferências...
Mendes da Rocha – O que você quer saber???
aU – Eu quero fazer uma entrevista sobre você aqui na Bienal.
Mendes da Rocha – Mas porque você quer saber se eu vim em outras entrevistas, eu não estou entendendo nada.
aU – Outras conferências. Nós estamos tendo conferências aqui desde...
Mendes da Rocha – Vi, vi, vi. Outras, vi. Eu vi, vi quase todas. Muito interessantes. Particularmente muito interessante a de Solano, do Paraguai, hoje de manhã.
aU – Por que trazer aqui na Bienal de Buenos Aires três obras que não são do Brasil?
Mendes da Rocha – Bem, arquitetura não tem nada que ver com isso. Onde está? Pode estar em qualquer lugar. Não pensei nisso. E depois, fui eu que fiz os projetos. Onde estou é Brasil.
aU – Mas tem a questão do local onde a obra está, não?
Mendes da Rocha – Mas onde estamos, está o Brasil.
aU – Como você vê a arquitetura aqui na Argentina e na América Latina...
Mendes da Rocha – É uma pergunta muito ampla, você não pode me perguntar como eu vejo a arquitetura... Daqui onde estamos não se vê. Você está louca. Isso não é entrevista para esse momento.
aU – E o que seria uma entrevista para esse momento?
Mendes da Rocha – Não sei, meu bem, mas você não vê que não dá para refletir, coisas complicadas. Como eu vou te dizer como eu vejo a arquitetura? Eu vejo com grande entusiasmo, que estamos cuidando da cidade contemporânea...
aU – Estamos cuidando da cidade contemporânea?
Mendes da Rocha – Eu vejo, acho que sim, você não viu esses projetos expostos quase todos têm essa preocupação.
aU – Você disse, na palestra, que a essência da cidade é o povo e depois disse que a essência também é a política. É a política ou é o povo?
Mendes da Rocha – Ué, mas política quem faz é o povo. Não existe política de pulga, de rato, de macaco. Você está fazendo perguntas que não é para esse ambiente. Você não entende nada. Isso são princípios meio filosóficos, não dá para falar aqui, isso não é entrevista para esse momento, entende. Tinha que ser não séria, como vai você, você gostou e tal, e acabou.
aU – Você gostou?
Mendes da Rocha – Gostei muito."
aU – É a primeira vez que o senhor vem à Bienal de Buenos Aires?
Paulo Mendes da Rocha – Eu estou sempre em Buenos Aires.
aU – Na Bienal...
Mendes da Rocha – É a primeira vez.
aU – Chegou a ver outras conferências...
Mendes da Rocha – O que você quer saber???
aU – Eu quero fazer uma entrevista sobre você aqui na Bienal.
Mendes da Rocha – Mas porque você quer saber se eu vim em outras entrevistas, eu não estou entendendo nada.
aU – Outras conferências. Nós estamos tendo conferências aqui desde...
Mendes da Rocha – Vi, vi, vi. Outras, vi. Eu vi, vi quase todas. Muito interessantes. Particularmente muito interessante a de Solano, do Paraguai, hoje de manhã.
aU – Por que trazer aqui na Bienal de Buenos Aires três obras que não são do Brasil?
Mendes da Rocha – Bem, arquitetura não tem nada que ver com isso. Onde está? Pode estar em qualquer lugar. Não pensei nisso. E depois, fui eu que fiz os projetos. Onde estou é Brasil.
aU – Mas tem a questão do local onde a obra está, não?
Mendes da Rocha – Mas onde estamos, está o Brasil.
aU – Como você vê a arquitetura aqui na Argentina e na América Latina...
Mendes da Rocha – É uma pergunta muito ampla, você não pode me perguntar como eu vejo a arquitetura... Daqui onde estamos não se vê. Você está louca. Isso não é entrevista para esse momento.
aU – E o que seria uma entrevista para esse momento?
Mendes da Rocha – Não sei, meu bem, mas você não vê que não dá para refletir, coisas complicadas. Como eu vou te dizer como eu vejo a arquitetura? Eu vejo com grande entusiasmo, que estamos cuidando da cidade contemporânea...
aU – Estamos cuidando da cidade contemporânea?
Mendes da Rocha – Eu vejo, acho que sim, você não viu esses projetos expostos quase todos têm essa preocupação.
aU – Você disse, na palestra, que a essência da cidade é o povo e depois disse que a essência também é a política. É a política ou é o povo?
Mendes da Rocha – Ué, mas política quem faz é o povo. Não existe política de pulga, de rato, de macaco. Você está fazendo perguntas que não é para esse ambiente. Você não entende nada. Isso são princípios meio filosóficos, não dá para falar aqui, isso não é entrevista para esse momento, entende. Tinha que ser não séria, como vai você, você gostou e tal, e acabou.
aU – Você gostou?
Mendes da Rocha – Gostei muito."
Eu, heim?
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